SINOPSE: Marty McFly é um típico adolescente que vive nos Estados Unidos dos anos 1980 e acidentalmente é enviado de volta para 1955 em um DeLorean, uma máquina do tempo construída pelo doutor Emett Brown (Christopher Lloyd). Lá conhece sua mãe, antes ainda do casamento com seu pai. No passado, Marty serve como cupido e procura assegurar que seus pais se encontrem e se epaixonam para que ele possa voltar para o futuro.

O roteirista Bob Gale em uma visita a seus pais em St. Louis, Missouri, encontrou o anuário escolar de seu pai e se perguntou se eles seriam amigos se estivessem estudado juntos. Ele contou sua ideia a Robert Zemeckis e juntos expandiram a ideia, imaginando um adolescente viajando acidentalmente para o passado e interferindo no relacionamento de sua família.

Com essas ideias em mente, em 1981, Bob Gale e Robert Zemeckis escreveram o roteiro de “De Volta Para o Futuro”. Porém, vários estúdios recusaram o roteiro até o sucesso de “Tudo Por Uma Esmeralda” (1984), filme dirigido por Zemeckis. Isso fez com que a Universal Pictures comprasse os direitos de “De Volta Para o Futuro” e fizesse Steven Spielberg entrar para o projeto como produtor executivo.

Com um orçamento de US$ 19 milhões, “De Volta Para o Futuro” arrecadou US$ 380 milhões nas bilheterias, sendo aclamado pela crítica e pelo público. O filme foi indicado em quatro categorias do Oscar em 1985: Melhor Canção Original, Melhor Roteiro Original, Melhor Mixagem de com e Melhor Edição de Som, ganhando a estatueta nessa útlima.

“De Volta Para o Futuro” figura como o 23º melhor filme da história do The New York Times, que contém 1000 longas-metragens. Em 2006, o roteiro foi selecionado pelo Writers Guild of America como o 56º melhor roteiro da história. Em 2007, a Biblioteca do Congresso Estadunidense selecionou o filme para preservação no National Film Registry, e em junho de 2008 a American Film Institute o reconheceu como o 10º melhor longa-metragem de ficção científica estadunidense.

“De Volta Para o Futuro” é um dos ícones da história do cinema e é considerado por uma maioria esmagadora como impossível de receber um remake. Robert Zemeckis e Bob Gale são firmes em sua posição de não permitir um reboot ou remake, pois acreditam que a saga está perfeita como está e que o ciclo já foi encerrado.

Não acho que ”De Volta Para o Futuro” seja “irremakável” ou “irrebotável”, mas a seguir, vou falar, na minha opinião, os porquês dessa tarefa ser quase impossível.

“De Volta Para o Futuro” é classificado como ficção científica por causa da temática, mas ao contrário de outros filmes sobre viagem no tempo que vieram antes, posso afirmar quase com certeza, que foi o primeiro com o tom divertido e aventuresco.

O momento menos divertido, vou dizer assim, é o início do filme, quando ao mostrar os créditos iniciais, temos alguém ligando uma guitarra em um amplificador gigantesco. Depois dessa sequência, “De Volta Para o Futuro” é uma grande aventura, mantendo um ritmo narrativo animado até o final. Para mim, o momento mais empolgante é quando Biff (Thomas F. Wilson) e seus amigos perseguem de carro Marty, em um skate improvisado.

O roteiro de Bob Gale e Robert Zemeckis é ágil, sempre trazendo uma situação que prende nossa atenção: a explosão do amplificador, o teste da máquina do tempo no estacionamento do shopping, a chegada de Marty a 1955 e assim vai. Outra característica da história de “De Volta Para o Futuro” é que temas mais sérios como bullyng, inadequação, impotência, vergonha, são abordados sempre de forma leve e divertida.

Outro ponto que chama a atenção no roteiro do filme é que os eventos são todos amarrados. É verdade que a história não é complexa, com tramas e reviravoltas simples, mas às vezes menos e mais. “De Volta Para o Futuro” faz o arroz com feijão com sua narrativa, mas faz muitíssimo bem.

Mas o grande trunfo de “De Volta Para o Futuro” são os personagens carismáticos. Todos, sem exceção, são versões exageradas de determinados estereótipos. Biff é o valentão malvado do colégio de Hill Valley, com suas atitudes desprezíveis; George (Crispin Glover) é o nerd tímido, inseguro e inteligente; Lorraine (Lea Thompson) é a adolescente que esconde seu verdadeiro eu por baixo de uma fachada puritana.

Marty McFly, interpretado por Michael J. Fox, é o adolescente que deseja sair da sombra do seu pai, lembrado como o “panaca” de sua turma na época de colégio. E para isso aspira ser um astro do rock. Marty é a representação da adolescência que vive no limiar entre os sonhos de grandes feitos e da ideia de que tudo é possível com a realidade da vida adulta que se aproxima. Marty é um adolescente frustrado por causa da apatia de sua família, e inseguro, mesmo demonstrando coragem e atitude, ficando evidente na sua forma nervosa, atabalhoada e acelerada de agir.

Mas o grande destaque do filme é Emett Brow, interpretado por Christopher Lloyd. O personagem é a personificação do doutor maluco com suas ideias e invenções, como o leitor de mentes. Mas é na forma de agir e de se movimentar, nas suas feições a principalmente, com seu olhar esbugalhado que temos a representação desse estereótipo. E como é engraçado ver o doutor Emet Brown em cena.

Mas Emett Brown, por baixo de sua loucura, é um sonhador que não mede esforços para realizar seus sonhos, tanto que ele gasta toda a fortuna de sua família e 30 anos de sua vida para criar o capacitor de fluxo e sua máquina do tempo. E é justamente esse aspecto que faz com que dr. Brow e Martin McFly sejam amigos.

Emett Brown é na minha opinião, o verdadeiro protagonista de “De Volta Para o Futuro” e é tão icônico que inspirou outro personagem de uma das animações de maior sucesso da atualidade: Rick Sanchez de “Rick and Morty”.

Com um ritmo divertido e personagens extremamente carismáticos, “De Volta Para o Futuro” ainda possui uma ótima trilha sonora. Impossível não começar falando da música-tema composta por Alan Silvestri, que tocava principalmente nas cenas de viagem do tempo. Temos também a performance de Michael J. Fox tocando “Johnny B. Goode”, de Chuck Berry; e a minha música preferida de todo filme: “The Power of Love” da banda Huey Lewis and The News, que alçou o grupo musical ao topo das paradas de sucesso e foi indicada ao Oscar de Melhor Canção Original.

“De Volta Para o Futuro” é uma daqueles poucos filmes em que tudo se encaixa e dá certo: ótimo roteiro, personagens carismáticos, trilha sonora incrível, entre outros elementos técnicos.

Foi essa combinação perfeita que gerou o sucesso financeiro e a aclamação de crítica e público, fazendo com que ”De Volta para o Futuro” ganhasse duas sequências, sendo que o segundo filme é tão bom quanto o primeiro e um terceiro longa-metragem, que na minha opinião, é inferior aos seus antecessores.

Em entrevistas, Michael J. Fox e Christopher Lloyd dizem que voltariam para um novo filme, porém, mesmo assim, não acho que teríamos o impacto que o filme de 1985 teve.

Se depender de Robert Zemeckis e Bob Gale, essa aventura já foi contada e muito bem contada, não havendo nessidade de um novo filme de “De Volta para o Futuro”. Eles afirmam que não se deve mexer em algo que deu certo, preferindo preservar o legado dessa história.

Merecedor do rótulo de um clássico da Sessão da Tarde, “De Volta Para o Futuro” é uma aventura muito divertida que está entre uma das mais queridas da história do cinemas!

Curiosidades

  • O ator inicialmente contratado para interpretar Marty McFly foi Eric Stoltz, que chegou até a gravar algumas cenas como o personagem. Mas, como os produtores consideraram que Stoltz não convenciam como um adolescente nas telas, ele foi preterido por Michael J. Fox.
  • Ralph Macchio, o Daniel LaRusso de “Karatê Kid”, foi sondado para o papel de Marty McFly. Ele, no entanto, recusou o personagem.
  • John Litgow recusou o papel de Emett Brown. O ator tinha outros compromissos e o papel do lunático inventor foi parar nas mãos de Christopher Lloyd.
  • Nas primeiras versões do roteiro, a máquina do tempo seria uma geladeira. A ideia, no entanto, foi abortada com medo de que as crianças após verem o filme acabassem trancadas em refrigeradores.
  • Houve várias modificações até a escolha de um Delorean como máquina do tempo. A escolha como diz o próprio Emett Brown: “Se for para viajar no tempo, que seja com estilo”.
  • O Delorean é de uma fabricante irlandesa e teve apenas 9 mil unidades produzidas. Um estimativa é de que ainda existam cerca de 6,5 mil espalhadas pelo mundo. O preço médio do veículo está em torno de R$ 700 mil.
  • Bob Dale e Robert Zemechis concordaram que a viagem no tempo só seria possível se fosse utilizada a energia liberada por uma bomba atômica. Dessa forma, surgiu que a viagem no tempo ocorre quando o Delorean atinge 88 milhas/h (141 km/h), com o capacitor de fluxo liberando 1,21 gigawatts.
  • Nos créditos finais do filme, a música “Johnny B. Goode” tocada no filme está creditada a Marty McFly.
  • “De Volta Para o Futuro” possui várias participações especiais e homenagens. O professor que rejeita a banda de Marty McFly é Huey Lewis, autor e cantor da música “The Power of Love”. O irônico da cena é que Marty está tocando uma versão orquestrada de “The Power of Love”, composta pelo próprio Huey.
  • Quando Marty McFly conecta sua guitarra em um amplificador no laboratório, aparece um letreiro com CRM 114. As letras se referem ao código de exploração de Júpiter em “2001: Uma Odisseia no Espaço”.
  • Em uma cena de 1955, aparece um cinema exibindo “A Boy’s Life” e “Watch the Skies”, que são dois filmes de Steven Spielberg.
  • A rua principal da cidade mostrada em “De Volta Para o Futuro” é a mesma utilizada em “Gremlins” (1984).
  • Quando Marty se encontra pela primeira vez com Doc Brown no estacionamento do shopping, a placa mostra “Twin Pines” (Pinheiros Gêmeos). Brown explica que o estabelecimento havia sido construído em uma antiga fazenda que tinha duas árvores juntas. Ao voltar no tempo, em 1955, McFly atropela com o Delorean uma das árvores e ao retornar a 1985 descobre que agora o shopping se chama “Lone Pine” (Pinheiro Solitário).
  • Quando se inicia o processo para coletar o raio que abastece a Delorean, Doc Brown afirma que Marty tem 7 minutos e 22 segundos para garoto retornar para casa. O curioso é que, ao cronometrar o filme, a partir desta fala, o raio atinge a torre exatamente em 7 minutos e 22 segundos.
  • Se você viu “De Volta Para o Futuro” quando estreou nos cinemas talvez se lembre que o filme não terminou com o “To be continued” na tela. As letras personalizadas foram inseridas a partir da versão em VHS do filme, pois ele não foi pensado para ser o início de uma franquia. Porém, com o sucesso estrondoso do longa-metragem, Bob Gale e Robert Zemechis ganharam sinal verde para fazer os outros capítulos.
  • “De Volta Para o Futuro” teria um final diferente: George McFly de 1985 pegaria um jornal velho de 1955 com uma foto de Marty tocando Johnny B. Goode no palco do baile do colégio; ele olharia em choque para o filho e diria “Não é possível! Mas esse é o…”. 

Ficha Técnica:

Título Original: Back to the Future

Título no Brasil: De Volta Para o Futuro

Gênero: Ficção Científica

Duração: 116 minutos

Diretor: Robert Zemeckis

Produção: Steven Spielberg, Frank Marshall, Kathleen Kennedy

Roteiro: Robert Zemeckis, Bob Gale

Elenco: Michael J. Fox, Christopher Lloyd, Lea Thompson, Crispin Glover, Thomas F. Wilson, Claudia Wells,

Companhias Produtoras: Amblin Entertainment

Distribuição:     Universal Pictures

Please follow and like us:

Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *