
SINOPSE: Após a conclusão de Fragmentado (2017), Kevin Crumb (James McAvoy), o homem com 24 personalidades diferentes, passa a ser perseguido por David Dunn (Bruce Willis), o herói de Corpo Fechado (2000). O jogo de gato e rato entre o homem inquebrável e a Fera é influenciado pela presença de Elijah Price (Samuel L. Jackson), que manipula seus encontros e guarda segredos sobre os dois.
Desde “O Sexto Sentido”, considero o diretor M. Night Shyamalan, o melhor contador de histórias de Hollywood. Seus roteiros são sempre bem escritos e de uma inteligência única. E em “Vidro” não é diferente. Com o desafio de fechar a história iniciada em “Corpo Fechado” e “Fragmentado”, o roteiro entrega todas as respostas necessárias para o encerramento dessa trilogia. O diretor amarra seus três filmes com genialidade e atos simples, além de mostrar que a relação de Crumb, Dunn e Elijah é muito maior do que imaginamos. O diretor ainda responde a uma pergunta feita em “Vidro”, que faz todo o sentido para a história que começou com “Corpo Fechado” em 2001: por que não existem mais destes super seres? Fica a dica: a resposta dessa pergunta tem tudo a ver com a a doutora Ellie Staple, personagem da atriz Sarah Paulson.
E como não poda faltar em um filme de Shyamalan, é claro que existe um plost twist. Na verdade, mais de um. O diretor pode não ser o criador deste recurso narrativo, mas em Hollywood, ele é mestre na utilização do mesmo. E talvez aqui as pessoas possam torcer o nariz para “Vidro”. Desde “O Sexto Sentido” e a virada narrativa do final do filme, passamos a esperar um mudança impactante no enredo dos filmes de M. Night Shyamalan. Mas a verdade, é que apesar de alguns longas-metragens do diretor terem plost twists mais contidos, todos são muito inteligentes e impactantes. E em “Vidro” é exatamente o que acontece: as reviravoltas não são tão chocante quanto a que acontece em “Fragmentado”, mas são geniais ao explicar qual é a conexão entre Crumb, Dunn e Elijah e o objetivo do trabalho da doutora Ellie Staple.
“Vidro” apresenta um dos melhores roteiros escritos por M. Night Shyamalan, dando espaço para que todos os personagens do filme se desenvolvam e desempenhem seus papéis na trama. Junte a isso ao talento do diretor em conduzir os atores de forma segura pela sua história.
Uma constelação de atores talentosos faz parte deste filme, como Bruce Willis, Samuel L. Jackson, Anna Taylor-Joy e Sara Paulson; e todos eles estão muito à vontade interpretando seus personagens. Mas é James McAvoy quem, mais uma vez, se destaca. O ator que já tinha dado um show de interpretação no filme anterior, mas em “Vidro” ele se supera. Aqui não há truques de filmagem, como o fechar de uma porta ou o corte da imagem para outro personagem, para demonstrar a mudança de personalidade Kevin Crumb. James McAvoy transita entre as vinte personalidades mostradas no longa-metragem com a câmera focada nele e de forma fluída, como se realmente sofresse de TDI (Transtorno de Dissociativo de Identidade).
Então, por que o filme se chama “Vidro”, se mais uma vez é James Macvoy que se destaca no filme interpretando as múltiplas personalidades de Kevin Crumb? O filme se chama assim pois todas as tramas, todas as cordas existentes no longa-metragem são movimentadas pelo Senhor Vidro, vivido por Samuel L. Jackson. Um plano iniciado há 19 anos atrás. Um plano de origem e não de término, como o próprio personagem diz.
O final do filme é algo que me incomoda um pouco pelo tom em que foi contado, mas depois de ter revisto “Vidro”, mudei minha opinião de que era desnecessário, entendendo que ele deveria ter acontecido para encerrar o plano de origem do Sr. Vidro.
“Vidro” apresenta uma direção competente, um roteiro inteligente, uma história instigante e ótimas interpretações; e por esse motivo é o destaque do mês de janeiro de 2019!
Ficha Técnica:
Título Original: Glass
Título no Brasil: Vidro
Gênero: Suspense, Terror Psicológico
Duração: 129 minutos
Direção: M. Night Shyamalan
Produção: Marc Bienstock, Ashwin Rajan
Roteiro: M. Night Shyamalan
Elenco: Bruce Willis, Samuel L. Jackson, James McAvoy, Anya Taylor-Joy, Sarah Paulson, Spencer Treat Clark, Charlayne Woodard
Companhia(s) produtora(s): Blinding Edge Pictures, Blumhouse Productions, Buena Vista International
Distribuição: Universal Pictures
