SINOPSE: “A vida do jovem Paul Atreides está prestes a mudar radicalmente. Após a visita de uma mulher misteriosa, ele é obrigado a deixar seu planeta natal para sobreviver ao ambiente árido e severo de Arrakis, o Planeta Deserto. Envolvido numa intrincada teia política e religiosa, Paul divide-se entre as obrigações de herdeiro e seu treinamento nas doutrinas secretas de uma antiga irmandade, que vê nele a esperança de realização de um plano urdido há séculos. Ecos de profecias ancestrais também o cercam entre os nativos de Arrakis. Seria ele o eleito que tornaria viáveis seus sonhos e planos ocultos?”

Escrito em 1965 por Frank Herbert, “Duna” revolucionou o mundo literário, ao nos trazer uma história que explora as complexas interações entre política, religião, ecologia, tecnologia e escolhas e consequências em alicerce às emoções humana; e que até à época de seu lançamento, nunca haviam sido usados na literatura de ficção em geral. Com “Duna”, Frank Hebert inovou a forma de escrever fantasia e ficção científica, influenciando outros escritores de peso, como George R. R. Martin e Robert Jordan.

Aliás, ninguém me tira da cabeça, que “Duna” influenciou diretamente “A Roda do Tempo”. Os tairen da obra de Jordan são um espelho dos fremen criados por Hebert: um povo do deserto honrado, duro, e sem igual como guerreiros. As Bene Gesserit com certeza influenciaram na criação das Aes Sedai, como um grupo feminino poderoso, capaz de influenciar os caminhos da humanidade. Mas se você quer uma influência direta, então toma esta: Shaitan, o Diabo dos fremen, é o Senhor da Escuridão de “A Roda do Tempo“.

Frank Herbert criou um universo próprio, rico e interessante, tendo como centro o mundo desértico de Arrakis, única fonte da preciosa Melange, uma especiaria que prolonga a vida e outras habilidades que podem dar às pessoas. Todas as tramas políticas envolvendo as Casas Atreídes e Corrino, o Império Intergaláctico, a Corporação Espacial, as Bene Gesserit e os fremen, são por causa dessa especiaria.

Mas Frank Herbert alicerça sua obra em um tripé, que além da política, envolve a biologia e a religião. É impressionante como o escritor mostra como o meio-ambiente sofre positiva e negativamente devido as intervenções humanas.

A religião é outro elemento usado de forma brilhante nos livros, ao mostrar como seitas e religiões influenciam na balança do poder e na vida das pessoas. Uma das passagens que mais gosto com relação a esse assunto, é quando é explicado uma espécie de plano das Bene Gesserit para introduzir religiões nos povos, através de lendas e figuras sagradas, e dessa forma conseguir controlar o destino de povos inteiros. Além disso a religião presente em “Duna” proíbe o uso de máquinas pensantes, temendo que estas possam destruir a humanidade.

Mas uma coisa me incomodou muito, nesta epopeia que é “Duna”: a prolixidade da escrita de Frank Hebert. O escritor, em todos os livros que li até agora de “Duna”, estende demais algumas situações. E essa prolixidade piora muito quando Frank Hebert embrenha em assuntos filosóficos como presciência, tempo/espaço, etc.; tornando a leitura morosa demais. O próprio Leto II, um dos personagens do livro, diz: “Muito do que você verá, não entenderá”. Realmente, muita coisa do que li quando o escritor dissertava sobre esses e outros conceitos, não entendi, mas porque já não aguentava mais ler parágrafos e mais parágrafos sobre o assunto.

Além de “Duna”, mais cinco livros foram lançados pelo próprio Frank Herbert: “O Messias de Duna” (1969), “Os Filhos de Duna” (1976), “O Imperador-Deus de Duna” (1981), “Os Hereges de Duna” (1984) e “As Herdeiras de Duna” (1985). Mas nenhuma dessas continuações tem a força narrativa de “Duna”, sendo alguns bem difíceis de ler.

No Brasil já foram lançados “Duna”, O Messias de Duna”, “Os Filhos de Duna”, “O Imperador-Deus de Duna” (todos lidos), e “Os Hereges de Duna” chega às livrarias em 2020, com a editora Aleph prometendo lançar ainda “As Herdeiras de Duna” e assim, fechar esse ciclo escrito por Frank Herbert. Pretendo ler os dois últimos livros que serão publicados por aqui, por pura curiosidade, uma vez que a história decai muito ao longo das obras.

Minha opinião, é que “Duna” é essencial para qualquer amante do hábito de ler, por ser uma obra-prima, não somente do gênero de ficção científica. E caso não queira ler as demais obras, não se preocupe, pois o primeiro livro encerra de forma bastante satisfatória, não obrigando ao leitor ler os demais livros, a não ser que seja por curiosidade, como foi o meu caso.

“Duna” já teve um adaptação para os cinema em 1984, dirigida por David Lynch, mas que não foi muito aceita pelos fãs do livro e pelos espectadores em geral.

Uma nova tentativa de levar essa obra literária às telonas será feita. A Warner contratou Denis Villeneuve, que dirigiu “A Chegada”, indicado a oito categorias do Oscar em 2017, e “Blade Runner 2049”; para a dirigir e roteirizar o longa-metragem. Ambos os filme foram altamente elogiados pela crítica especializada e pelas pessoas que assistiram (ou seja, “Duna” está em excelentes mãos). Além disso, o elenco conta com nomes conhecidos como Timothée Chalamet, Rebecca Ferguson, Dave Bautista, Stellan Skarsgård, Charlotte Rampling, Oscar Isaac, Zendaya, Javier Bardem, Josh Brolin e Jason Momoa. A ideia da Warner e do diretor é dividir o livro em dois filmes (algo semelhante a feito com “It”), tamanha a riqueza de detalhes da história. Aliás a confiança do estúdio é tamanha, que o segundo filme já está em pré-produção, sendo que o primeiro longa-metragem nem começou a ser filmado ainda.

“Duna” foi vencedor do prêmio Hugo de 1966, e é considerado o livro de ficção científica mais vendido de todos os tempos, e continuadamente apontada como uma das mais renomadas obras de ficção e fantasia já lançadas, e um dos pilares da ficção científica moderna.

Parafraseando a sinopse da Aleph: “Ao lado das trilogias ‘Fundação’, de Isaac Asimov, e ‘O Senhor dos Anéis’, de J. R. R. Tolkien, ‘Duna’ é considerada uma das maiores obras de fantasia e ficção científica de todos os tempos.”. Uma verdadeira epopeia que influenciou e irá influenciar muitos leitores e escritores.

Vale muito a pena ler “Duna”

        

Título Original: Dune

Título no Brasil: Duna

Autor: Frank Herbert

Tradutora: Maria do Carmo Zanini

Capa: Dura

Número de páginas: 680

Editora: Aleph

Idioma: Português
Ficha Técnica:

Título Original: Dune Messiah

Título no Brasil: O Messias de Duna

Autor: Frank Herbert

Tradutora: Maria do Carmo Zanini

Capa: Dura

Número de páginas: 272

Editora: Aleph

Idioma: Português
Ficha Técnica:

Título Original: Children of Dune

Título no Brasil: Os Filhos de Duna

Autor: Frank Herbert

Tradutora: Maria do Carmo Zanini

Capa: Dura

Número de páginas: 528

Editora: Aleph

Idioma: Português
Ficha Técnica:

Título Original: God Emperor of Dune

Título no Brasil: O Imperador-Deus de Duna

Autor: Frank Herbert

Tradutora: Maria do Carmo Zanini

Capa: Dura

Número de páginas: 512

Editora: Aleph

Idioma: Português
Ficha Técnica:

Título Original: Heretics of Dune

Título no Brasil: Os Hereges de Duna

Autor: Frank Herbert

Tradutora: Maria do Carmo Zanini

Capa: Dura

Número de páginas: 568

Editora: Aleph

Idioma: Português
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Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

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