SINOPSE: Um casal (Ron Livinston e Lili Taylor) muda para uma casa nova ao lado de suas cinco filhas. Inexplicavelmente, estranhos acontecimentos começam a assustar as crianças, o pai e, principalmente, a mãe. Preocupada com algumas manchas que aparecem em seu corpo e com uma sequência de sustos que levou, ela decide procurar o casal de investigadores paranormais, Ed e Lorraine Warren (Patrick Wilson e Vera Farmiga), que ao fazer uma visita ao local, descobrem que algo muito poderoso e do mal reside ali. Agora, eles precisam descobrir o que é e o porquê daquilo tudo acontecendo com os membros daquela família.

James Wan é um diretor, roteirista e produtor australiano, que surgiu para o cinema mundial em 2004, com “Jogos Mortais”. O filme custou apenas US$ 1,2 milhões e arrecadou US$ 103 milhões, fazendo com que “Jogos Mortais” se tornasse uma franquia com mais de US$ 1 bilhão em arrecadação.

James Wan mostrou uma qualidade que Hollywood gosta muito: produzir ótimos filmes com pouco dinheiro que fazem ótimas bilheterias, entrando como um dos nomes mais criativos e lucrativos do cinema e em especial, do terror.

Em 2013, James Wan lançava “A Invocação do Mal”, filme de terror que se tornaria um fenômeno dentro do gênero, virando uma franquia altamente lucrativa com várias produções. Somente os longas-metragens principais totalizam mais de US$ 1,3 bilhão.

Mas como “A Invocação do Mal”, custando apenas US$ 20 milhões, caiu no gosto do público a ponto de  gerar US$ 320 milhões de receita?

James Wan já deu várias entrevistas em que se declara com um aficionado por terror. Mas somente isso não garante um bom filme e nem que ele será lucrativo. Para isso, acho que entra em ação o tino do diretor, roteirista e produtor australiano em dar ao público o que ele quer ver.

“A Invocação do Mal” se passa em 1971, logo a fotografia e figurino por exemplo, precisam estar de acordo com o período, mas o filme passa uma sensação de ter sido filmado nessa década, o que cria uma boa imersão.

Mas o fator que talvez mais atraia a atenção do espectador é dizer que o filme é baseado em um dos casos de Ed e Lorraine Warren. Isso causa uma certa inquietação nas pessoas, já que se trata de eventos que supostamente são reais.

Ed e Lorraine Warren foram investigadores paranormais. Ed Warren era especialista em demonologia e exorcista enquanto Lorraine Warren era uma clarividente e médium. O casal alegou ter averiguado cerca de 10 mil casos sobrenaturais. Entre os casos mais famosos estão de Amityville, do poltergeist de Enfield, da boneca Annabelle e a da família Perron.

Esse início confere o status de veracidade dos fatos, já que Ed e Lorraine Warren possuem certa credibilidade em relação aos casos investigados. E ao informar que o caso de “Invocação do Mal” foi baseado em um caso não revelado até o lançamento do filme, confere um certo mistério à história.

O caso em questão é o da família Perron, que foi assombrada por Bathsheba, uma bruxa que viveu no início do século XIX. A própria família e Lorraine Warren serviram de consultoras conferindo fidedignidade ao filme.

Outro fato que pesa a favor de “Invocação do Mal” é que o filme vai direto ao ponto: assim que a família Perron chega na nova casa, eles passam a ser atormentados por forças insidiosas que habitam a casa. Então, durante 112 minutos, o espectador é bombardeado com jump scares. Porém, nenhum susto é gratuito, pois James Wan sabe utilizá-los muito bem e na hora certa.

Mas “A Invocação do Mal” não é somente jump scares, com sequências que constroem muito bem a tensão. O maior exemplo disso e na minha opinião, a melhor cena de todo filme, é quando Christine (Joey King) após acordar por ter seu pé puxado, fica olhando para um canto escuro, atrás da porta, e diz que tem alguém em pé olhando para ela e sua irmã.

O posicionamento das câmeras e os enquadramentos em “A Invocação do Mal” é outro ponto interessante, com imagens tremidas e balançando ou se movimentando junto com o olhar dos personagens. Esse tipo de filmagem dá ao espectador a sensação de estarmos no local, presenciando tais eventos paranormais.

James Wan trabalha muito bem os efeitos práticos para criar os eventos paranormais do filme e o mais engraçado é que nas poucas vezes que o CGI foi utilizado, a cena ficou bisonha.

Por “A Invocação do Mal” ir direto ao ponto em criar uma história assustadora, o desenvolvimento dos personagens é bem fraco. Mesmo os protagonistas, Ed e Lorraine Warren, parecem mecânicos, não convencendo do amor  que eles sentem um pelo outro ou a preocupação entre os integrantes da família Warren. Isso vale para a família Perron também.

Porém, devo admitir que aqui, esse tipo de elemento narrativo não fez muita falta, pois o objetivo de “A Invocação do Mal” é nos assustar pura e simplesmente. E isso o filme consegue com méritos.

Como disse no começo da resenha, “A Invocação do Mal” foi um sucesso de bilheteria, que criou o “Invocaverso”, uma franquia bilionárias de sequências e derivados. O problema é que após “A Invocação do Mal 2”, James Wan atuou somente como produtor, e quando ele não está no comando dos filmes, eles tendem a perder qualidade em todos os sentidos. E foi o que aconteceu com os demais longas-metragens da franquia: eles geram lucro e causam estardalhaço no lançamento para se tornarem esquecíveis com o tempo.

“Invocação do Mal” confirma o talento de James Wan em trazer histórias de terror muito boas e com pouco dinheiro, como ele faria após esse filme. Além disso, o filme demonstra que podemos ter uma história assustadora com muitos jump scares sem ser algo batido e forçado, bastando saber usá-los.

Dessa forma, só posso dizer que vale a pena assistir “A Invocação do Mal”

Ficha Técnica:

Título Original: The Conjuring

Título no Brasil: A Invocação do Mal

Gênero: Terror

Duração: 112 minutos

Diretor: James Wan

Produção: Tony DeRosa-Grund, Peter Safran, Rob Cowan

Roteiro: Chad Hayes, Carey W. Hayes

Elenco: Patrick Wilson, Vera Farmiga, Ron Livingston, Lili Taylor, Shanley Caswell, Hayley McFarland, Joey King, Mackenzie Foy, Kyla Deaver, Shannon Kook, John Brotherton, Sterling Jerings, Marion Guyot, Steve Coulter, Morganna May, Amy Tipton, Joseph Bishara, Zach Pappas, Christof Veillon

Companhias Produtoras: New Line Cinema, The Safran Company, Evergreen Media Group

Distribuição: Warner Bros. Pictures

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Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

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