SINOPSE: Mia (Jane Levy) é uma viciada em drogas que, para vencer seus demônios pessoais, vai com seu irmão David (Shiloh Fernandez) e amigos de infância até uma cabana rústica, que pertence à família. Assim que chegam, descobrem que a cabana foi invadida e que o porão parece uma espécie de altar, rodeado por animais mumificados, onde encontram um livro antigo. Após lerem em voz alta suas páginas, eles invocam uma força demoníaca que se apodera de Mia e quer possuir todos dentro da cabana para liberar um mal antigo.
Em 1981, Sam Raimi, lançava um filme de terror que foi recusado pelos estúdios estadunidenses e que só viria a ser exibido nos cinemas dos EUA após uma temporada de sucesso na Europa. O longa-metragem em questão é “Evil Dead” (“A Morte do Demônio” ou “Uma Noite Alucinante” no Brasil), que se tornou uma referência para os aficionados pelo terror.
Com o sucesso, em 1987, Sam Raimi lançava ”Evil Dead 2”, que se caracterizou por ser mais cômico que o filme de 1981. E o terceiro longa-metragem: “Army of Darkness”, lançado em 1993, abraçou de vez o humor, gerando muito descontentamento por parte dos fãs da franquia.
Após isso, a franquia ficou enterrada em Hollywood até 2012, quando Sam Raimi resolveu produzir um novo filme da franquia, retornando às raízes do terror apresentado no longa-metragem original. Então, pelas mãos de Fede Alvarez, “A Morte do Demônio” chegava aos cinemas em 2013.
Fede Alvarez chamou a atenção de Sam Raimi pelo curta-metragem “Ataque de Pánico”, em 2009. Assim, o cineasta uruguaio acabou apadrinhado por Raimi e escolhido para dirigir e roteirizar “A Morte do Demônio”, uma espécie de remake / spin-off, lançado em 2013.
“A Morte do Demônio” pode ser considerado uma “sequência” dos eventos que aconteceram no filme de 1981, pois existem alguns easter eggs que podem dar a entender isso, como o carro de Ash Williams abandonado na frente da cabana e a própria aparição do protagonista-mor da franquia no final do longa-metragem.
Ficam alguns furos para sustentar essa ideia de sequência, como o livro que aparece nesse filme. Mas utilizando a teoria de que existe mais de um Naturon Demonto, conseguimos cobrir esse erro de continuidade narrativa.
Como remake, “A Morte do Demônio” remove completamente qualquer traço de humor existente nos filmes anteriores e traz uma história 100% focada no gore.
“A Morte do Demônio” é graficamente sanguinário e brutal, sem dó de expor e causar aversão no espectador, assim como “Evil Dead” fez na década de 1981. Aqui é preciso fazer um paralelo entre “Evil Dead” e “A Morte do Demônio”, pois os dois, do seu modo, chocaram os espectadores.
O filme de 1981 pode parecer trash atualmente, mas os efeitos práticos utilizados e as sequências de violência filmadas fizeram com que “Evil Dead” fosse proibido de ser exibido em várias cidades dos EUA e países da Europa na época.
Da mesma forma, Fede Alvarez usou e abusou da sua criatividade doentia e dos efeitos práticos para trazer cenas de causar asco e aversão em quem assiste “A Morte do Demônio”. Cenas como pessoas serrando a própria boca e línguas cortadas ao meio com um estilete são exemplos de sequências brutais e regadas com muito sangue. E para deixar o espectador mais desconfortável ainda, a câmera é colocada muito próxima, dando zoom e deixando evidente todos os detalhes sanguinários dessas cenas.
O objetivo com isso é manter o tom angustiante do filme de 1981 e atualizá-lo para os dias atuais. E mesmo tendo se passado mais de dez anos do seu lançamento, “A Morte do Demônio” continua sendo um dos longas-metragens de terror mais violentos já feitos.
Para trazer essas cenas violentas e agoniantes, Fede Alvarez utilizou somente efeitos práticos, com o CGI dando um retoque final, como já é de praxe nesse tipo de decisão criativa. Próteses e maquiagem foram essenciais para a realização desse filme, bem como litros e litros de sangue falso, usados principalmente na cena final (cerca de 40 mil litros para produzir a cena da chuva de sangue).
Além desses artifícios, Fede Alvarez tomou algumas decisões para tornar algumas cenas muito perturbadoras, sendo ao maior exemplo, quando Mia, parasitada pelo demônio, é enterrada viva por seu irmão. A atriz Jane Levy realmente foi colocada em um buraco cavado no chão e precisou passar pela experiência de ter terra sendo jogada nela.
O objetivo de todas essas decisões criativas é um filme pesado, sem filtro em relação à violência, mostrando a perversão das pessoas parasitadas pelos demônios e o resultado brutal em enfrentá-las. Objetivo esse alcançado com sucesso.
Os demônios em “A Morte do Demônio” agem mais como parasitas, infestando e drenando o corpo humano até a morte. Com esse pensamento em mente, faz sentido a maquiagem empregada no filme. Os deadites parecem doentes com seus rostos pálidos e pupilas cheias de sangue. E tirando Mia, as demais pessoas parasitadas parecem não ter vontade própria, sem verbalizar, com seus olhares e expressões alucinadas, somente agindo com objetivo de machucar quem estiver pela frente.
Gosto bastante da maquiagem de “A Morte do Demônio”, pois ao contrário do filme de 1981, não remove os traços humanos das pessoas, acentuando os traços de cada personagem a ponto de torná-los estranhos e assustadores.
Mas “A Morte do Demônio” não utiliza somente e história do filme de 1981, pegando a ideia do confronto final de “Evil Dead 2”. Após o ritual de sacrifício ser completado, a Abominação (Randal Wilson), que sai do inferno para trazer a escuridão para o nosso mundo. E debaixo de uma chuva de sangue (causada pela perversão desse demônio), Mia precisa enfrentá-la.
Admito que fiquei um pouco frustrado com o final, pois apesar de gostar da chuva de sangue e da caracterização da Abominação, achei o embate não condizente com a grandeza de tal criatura, que foi vendida durante todo o filme como uma praga de proporções apocalípticas, que não podia vir ao nosso plano.
Ao final dos créditos finais de “A Morte do Demônio”, temos um Ash Williams mais velho dizendo “Groovy” (Legal em inglês). Essa aparição era o prenúncio do retorno do protagonista dos três primeiros filmes da franquia, que aconteceria na série “Ash vs. Evil Dead”.
“A Morte do Demônio”, mesmo com a alta classificação etária recebida nos cinemas mundiais (maiores de 18 anos), se mostrou um sucesso de bilheteria, arrecadando US$ 97,5 milhões para um orçamento de US$ 17 milhões. Além disso, o filme agradou os fãs do terror e violência do filme de 1981, abrindo portas para futuras histórias dentro da franquia.
Esse remake/sequência conquistou os fãs do terror brutal, recheado da violência e sustos sangrentos do filme original, os atualizando a um novo patamar, o tornando um dos filmes de terror mais implacáveis e sangrentos em muito tempo.
Por isso, só posso dizer que vale muito a pena assistir “A Morte do Demônio”!
Ficha Técnica:
Título Original: Evil Dead
Título no Brasil: A Morte de Demônio
Gênero: Terror
Duração: 90 minutos
Diretor: Fede Álvarez
Produção: Rob Tapert, Sam Raimi, Bruce Campbell
Roteiro: Fede Álvarez, Rodo Sayagues
Elenco: Jane Levy, Shiloh Fernandez, Lou Taylor Pucci, Jessica Lucas, Elizabeth Blackmore, Phoenix Connolly, Jim McLarty, Sian Davis, Stephen Butterworth, Karl Willetts, Randal Wilson, Rupert Degas
Companhias Produtoras: TriStar Pictures, FilmDistrict, Ghost House Pictures
Distribuição: Sony Pictures Releasing
