SINOPSE: Quatro anos após matar e escapar de seu sombrio sequestrador, Finney (Mason Thames) tenta viver uma vida normal sendo o único sobrevivente do macabro cativeiro do Pegador (Ethan Hawke). Enquanto o jovem encontra dificuldade de superar seu trauma, sua obstinada irmã mais nova Gwen (Madeleine McGraw) começa a receber chamadas do telefone preto em seus sonhos, tendo ainda pesadelos recorrentes com três garotos sendo perseguidos num acampamento. Decidida a investigar a origem dessas visões, Gwen convence Finney a visitar o local durante uma tempestade de neve. O que os irmãos descobrem é que O Pegador se tornou ainda mais perigoso depois de morto.

Quando Scott Derrickson abandonou a direção de “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura” por diferenças criativas (que não foram tanto assim, já que a Marvel Studios chamou Sam Raimi para capitanear o projeto), ele se voltou para o gênero que o lançou para o sucesso. E assim, fomos agraciados com “O Telefone Preto”. Elogiado por público e crítica especializada e com um bom retorno financeiro (US$ 161,4 milhões nas bilheterias para um orçamento de US$ 20 milhões), a Blumhouse Productions e a Universal Pictures viram a possibilidade de uma nova franquia de terror. E assim, chega esse ano aos cinemas “O Telefone Preto 2”.

O que me chamou atenção logo no início é a mudança de tom em relação ao primeiro filme da franquia, com Scott Derrickson aproximando “O Telefone Preto 2” de outro longa-metragem de sua filmografia, que na minha opinião é o seu melhor trabalho de terror: “A Entidade”.

A utilização de filmagens antigas para mostrar os sonhos de Gwen, junto aos efeitos sonoros, mostrando a violência e o sangue em cortes rápidos, tornam essas sequências perturbadoras como as fitas assistidas em “A Entidade”. O fato de Scott Derrickson utilizar essa técnica novamente demonstra que ele sabe o que o espectador de seus filmes gosta e o que os deixa desconfortáveis.

Em “O Telefone Preto 2” temos uma inversão do protagonismo. No primeiro filme acompanhamos Finney enfrentando The Grabber e Gwen como uma espécie de copiloto. Nessa sequência é a irmã mais nova que é atormentada pelo espírito do serial killer com o primogênito da família Shaw atuando como escudeiro.

Essa inversão é proposital, pois as atenções de The Grabber estarem voltadas para Gwen é uma forma de se vingar de Finney tê-lo matado e o mandado para o inferno. Porém, até o momento que o serial killer quer simplesmente atacar a irmã de Finney para fazê-lo sofrer, estava valendo, mas quando é explicado porque suas atenções assassinas se voltam para a menina, não me convenceu, até porque no primeiro filme, The Grabber não me pareceu uma cara de família.

E por falar em família, “O Telefone Preto 2” traz mais da história de Hope (Anna Lore), mãe de Finney e Gwen e faz uma conexão impactante entre ela e The Grabber. Assistindo a esse filme, lembrei do serial killer falando em “O Telefone Preto” que Finney era especial. E ao mostrar a relação da mãe dele e The Grabber, fez sentido essa fala.

“O Telefone Preto 2” abandona a fórmula de um terror mais psicológico com toques de sobrenatural para apostar na capirotagem do outro mundo como fio condutor da tensão que ele quer passar para o espectador. E novamente fez bastante sentido essa mudança de tom, pois se os espíritos atormentados das vítimas de The Grabber conseguem vir ao nosso mundo para avisar Finney e Gwen, então essa porta está aberta para coisas ruins.

E para The Grabber fugir do inferno, ele volta na pura força do ódio, já que seu corpo foi esvaziado até restar apenas o pior dele mesmo. Aqui, a retratação do inferno é um lugar gelado que me lembrou “Anjos Rebeldes”, onde Lúcifer diz que seu reino é pura trevas, já que lá não chega a luz de Deus e assim além de escuro é frio.

Mas além de seu ódio, “The Grabber” precisa da força de suas vítimas para atacar tanto nos sonhos das Gwen como no mundo real. Essa dinâmica dele aparecer principalmente nos sonhos de Gwen, me lembrou muito Freddy Krueger de “A Hora do Pesadelo”.

E aqui lanço uma teoria minha: além do ódio absoluto que toma conta do espírito do serial killer e de se alimentar das almas atormentadas de suas vítimas, acredito que o dom de Gwen é o que permitiu The Grabber retornar do inferno e de conseguir interagir com as pessoas no mundo real.

Mas preciso dizer que “O Telefone Preto 2” tem seus problemas, principalmente na condução do ato final. No primeiro filme, os dramas pessoais dos personagens, principalmente de Finney e Gwen servem para construir os personagens e criar conexão com o espectador. Em “O Telefone Preto 2, esses dramas começam a brotar na hora errada, e assim eles quebram bastante o pega para capar do desfecho do longa-metragem. Aliás, o ato final é bastante confuso, sem realmente ter o senso de tensão e urgência que o confronto definitivo entre Gwen, Finney e The Grabber precisava passar.

Antes de terminar a resenha preciso dizer que as atuações de Mason Thames, Madeleine McGraw w Ethan Hawke continuam excelentes e seus personagens seguram o filme quase que na sua totalidade, menos no final (que não é culpa deles).

“O Telefone Preto 2” arrecadou US$ 10,7 milhões somente no dia de estreia nos EUA. Se continuar assim, pode alcançar algo próximo do primeiro longa-metragem, gerando um bom retorno financeiro (o orçamento desse filme foi de US$ 30 milhões), e assim gerar discussão para um possível terceiro capítulo dessa franquia.

Enfim, gostei do tom mais tenso e perturbador que lembra bastante “A Entidade” que vi nos dois primeiros atos. Achei interessante a narrativa seguir o caminho mais sobrenatural e assim não trazer algo igual ao primeiro filme. Porém, o ato final, que deveria ser o ápice e fazer o espectador roer as unhas e sentar na ponta da poltrona, se mostrou confuso, pouco assustador e muito melodramático.

Dessa forma, se você gostou do primeiro longa-metragem, então vale a pena assistir “O Telefone Preto”, mas vá com ressalvas pois colocando os dois filmes da franquia na balança, o primeiro filme é melhor.

Ficha Técnica:

Título Original: Black Phone 2

Título no Brasil: O Telefone Preto 2

Gênero: Terror

Duração: 114 minutos

Diretor: Scott Derrickson

Produção: Jason Blum, Scott Derrickson, C. Robert Cargill

Roteiro: Scott Derrickson, C. Robert Cargill

Elenco: Mason Thames, Madeleine McGraw, Jeremy Davies, Demián Bichir, Ethan Hawke, Miguel Mora, Arianna Rivas, Anna Lore, Graham Abbey, Maev Beaty

Companhias Produtoras: Blumhouse Productions, Crooked Highway

Distribuição: Universal Pictures

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Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

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