SINOPSE: Katie (Katie Featherston) mora com seu namorado Micah (Micah Sloat), que, meio cético quanto aos relatos dela ouvir ruídos estranhos, sussurros e sentir sensações inesperadas, resolve usar uma câmera para gravar tudo o que acontece dentro da casa e principalmente quando dormem, que é quando acontece tais eventos. O que era para ser apenas uma forma de esclarecer o mistério torna-se uma experiência intrigante e assustadora.
O cinema de terror é onde se concentra a maior quantidade de filmes de baixo orçamento. O custo reduzido dessas produções serviu como porta de entrada para diretores aclamados hoje em dia, como Steven Spielberg, por exemplo.
E uma coisa que chama bastante atenção nesse fato é a quantidade considerável de filmes de terror de baixo orçamento que se tornam fenômenos de bilheteria, caindo no gosto do público e se tornando ícones dentro desse gênero.
Em 1999, “A Bruxa de Blair” consolidava o found footage como subgênero de terror e abria ainda mais as portas para diretores, roteiristas e produtores que não tinham os milhões de dólares dos estúdios para produzirem seus filmes. O longa-metragem sobre os três estudantes que desapareceram durante as filmagens do documentário sobre a bruxa de Burkittsville custou a bagatela de US$ 60 mil e arrecadou impressionantes US$ 248,6 milhões, sendo até hoje um dos filmes mais lucrativos da história do cinema.
Mas nem tudo são flores, pois com a adesão em massa do found footage, tanto dos diretores independentes como dos grandes estúdios, muita porcaria foi feita. E como sei disso? Porque depois que assisti “A Bruxa de Blair”, por volta do ano 2000, tinha me tornado um aficionado por essas produções, vendo praticamente tudo que saía com esse estilo de filmagem.
Porém em 2009, fui ao cinema assistir a um filme found footage que contava a história de um casal de namorados que através de uma câmera, começou a registrar eventos paranormais que podiam ser causados por uma entidade não humana. O longa-metragem em questão é “Atividade Paranormal”.
Se o grande chamariz de “A Bruxa de Blair” foi o marketing que o vendeu como uma história real, “Atividade Paranormal” pode ser classificado como baseado em fatos reais, mas não a história de Katie e Micah, e sim os eventos estranhos que acontecem na casa onde se passa o longa-metragem.
“Atividade Paranormal” ao mostrar esses eventos inexplicáveis conecta o espectador com os personagens, afinal quem nunca ouviu barulhos estranhos na sua casa ou acordou achando que tinha alguma coisa ao lado da sua cama? E se não aconteceu com você, com certeza conhece ou ouviu falar de alguém que passou tais experiências.
Além disso, basta procurar na internet e teremos uma quantidade incontável de relatos sobre atividades supostamente paranormais, algumas banais e inocentes, como uma luz que acende sozinha ou ver um vulto e outras mais sérias, como coisas que pegam fogo sozinhas e pessoas sendo oprimidas por forças ou presenças ameaçadoras.
E dessa forma, mostrando eventos paranormais tão “comuns” do nosso cotidiano, “Atividade Paranormal” vai se infiltrando na sua mente e ativando a expectativa e a tensão que segue em uma crescente, à medida que o demônio vai ficando mais forte e atuando cada vez mais contra Katie e Micah. Admito que da primeira vez que assisti a esse filme, fiquei bem mais apreensivo e assustado do que vendo “A Bruxa de Blair”.
E para reforçar esse sentimento de “real” e de que poderia acontecer ou já aconteceu conosco ou alguém próximo, “Atividade Paranormal” não possui créditos, nem iniciais e finais. O filme começa agradecendo à família de Katie e Micah e a polícia da cidade. E dependendo do final que você vê, temos uma mensagem diferente, e mais nada.
E você não leu errado, “Atividade Paranormal” possui três finais, sendo o que vemos no corte final foi escolhido por questões comerciais, já que ele permitiria sequências. Nas curiosidades dessa resenha, você poderá assistir aos três desfechos de “Atividade Paranormal” e decidi qual é o melhor.
“Atividade Paranormal” utiliza alguns elementos vistos em “A Bruxa de Blair”, sendo um deles os personagens terem os nomes reais dos atores e assim reforçar a sensação de que se trata de uma gravação real.
Muito se discute qual produção consolidou o found footage: “A Bruxa de Blair” ou “Atividade Paranormal”. Minha opinião é que o primeiro filme citado consolidou o subgênero de terror enquanto o segundo foi uma evolução desse tipo longa-metragem. Digo isso, porque enquanto “A Bruxa de Blair” não conseguiu emplacar uma sequência de sucesso, “Atividade Paranormal” teve quatro continuações diretas, dois spin-offs, e recentemente, uma tentativa de sequência/reboot.
Tirando um spin-off que se passa no Japão e o último filme lançado, os demais capítulos da franquia “Atividade Paranormal” são sucesso de bilheteria diante do custo de produção. Em números aproximados, a franquia ultrapassa US$ 1 bilhão.
Outra discussão que se tem é qual o filme com maior retorno financeiro: “Atividade Paranormal” ou “A Bruxa de Blair”. Como falamos no começo dessa resenha, “A Bruxa de Blair” custou US$ 60 mil e arrecadou 248,6 milhões enquanto “Atividade Paranormal” teve orçamento de US$ 15 mil e gerou US$ 194 milhões nas bilheterias.
Independentemente de comparações ou discussões, “Atividade Paranormal” entra para a história não somente como um dos maiores sucessos financeiros da história do cinema, mas também como um dos filmes mais assustadores já feitos.
Curiosidades
- O diretor Oren Peli teve a ideia para o longa-metragem em 2006 quando ele instalou câmeras de segurança em sua casa depois de ouvir alguns ruídos estranhos por perto. Depois de assistir às imagens, ele pensou que poderia dar um ótimo filme, achando que muitas pessoas poderiam se identificar com a questão do que acontece à noite, quando estamos dormindo.
- Oren Peli gastou US$ 15 mil para comprar equipamentos e contratar atores. Ele também nunca tinha mexido com uma câmera, mas aprendeu sozinho durante o processo.
- Christopher Chacon, especialista em fenômenos paranormais, ajudou na produção do filme.
- O filme foi rejeitado na maioria dos festivais, mas exibido no ScreamFest em 2007, onde Jason Blum ficou determinado a distribuir o filme. Blum havia rejeitado “A Bruxa de Blair” de 1999, e não queria repetir o mesmo erro.
- Jason Blum conseguiu colocar o filme nas mãos de Steven Spielberg. Spielberg, que assistiu ao filme e ficou tão assustado, que chegou a dizer que era assombrado.
- A Dreamworks assumiu a produção e queria refazer todo o filme com um orçamento maior. Porém, parte do contrato permitia que o longa-metragem fosse liberado para prévias antes de ser refeito, onde obteve um sucesso tão grande que o remake não foi necessário.
- O diretor não foi e não deixou que os atores principais aparecessem nas premieres do filme para tentar dar um mistério extra, deixando a dúvida se a história realmente aconteceu ou não..
- Todo o filme foi gravado em apenas uma semana, dentro da casa do diretor. Além disso, para manter a originalidade, o filme não tinha roteiro específico para as falas dos atores. Foi tudo meio improvisado, para dar a sensação de veracidade.
- A equipe técnica de Oren Peli era composta por seus melhores amigos e namorada.
- O ator que interpretou Micah era um operador de câmera na faculdade e realmente segurou a câmera durante a maior parte do filme.
- O final original do filme mostraria Katie subindo as escadas, após ter matado Micah, com uma faca na mão, sentando no chão do quarto e se balançando por horas. A polícia chega à residência e encontra Katie, que sai do seu estado catatônico e vai em diração aos oficiais, que a matam.
- Steven Spielberg sugeriu que o final deveria ser Katie arremessando o corpo de Micah em direção à câmera e olhando para ela com um ar demoníaco.
- Além desses dois finais, “Atividade Paranormal” possui um terceiro desfecho onde após Katie ter matado Micha, sobe as escadas, para em frente à câmera e corta o próprio pescoço.
Final – Versão Que Foi Para o Cinema
Final Original
Final Alternativo
Ficha Técnica:
Título Original: Paranormal Activity
Título no Brasil: Atividade Paranormal
Gênero: Terror
Duração: 86 minutos
Diretor: Oren Peli
Produção: Jason Blum, Oren Peli, Steven Schneider
Roteiro: Oren Peli
Elenco: Katie Featherston, Micah Sloat, Mark Fredrichs, Amber Armstrong, Ashley Palmer, Randy McDowell, Tim Piper, Crystal Cartwright
Companhias Produtoras: Blumhouse Productions, Solana Films
Distribuição: Paramount Pictures
