Outubro é o mês do terror!
Então, seja bem-vindo ao Especial de Terror do Cinemaníacos. Desde a nossa criação, em 2019, dedicamos o site para matérias voltadas para os aficionados por esse gênero.
Um dos materiais do nosso Especial são listas sobre temas e dicas voltadas para o terror.
E para ajudá-lo a identificar essas listas, você verá o Codex Maleficus na foto destaque da publicação. A imagem foi gerada por IA, a partir de descrições achadas na internet, já que, no século XII, a Inquisição ordenou a destruição de tal objeto. Se tal livro foi obliterado não sabemos, mas não existem registros dele após esse período.
A nossa escolha pelo Codex Maleficus é devido ao fato dele, segundo informações fragmentadas, possuir um conhecimento profano e insidioso do passado, presente e futuro, tanto de coisas reais como fictícias. Então, será que filmes, séries e outras histórias de terror que foram e serão feitas não estão registrados em suas páginas?
“Intra paginas meas latet scientia profani, insidiosi.
Tibi est decernere quomodo hac scientia utaris.
Sed scito revelationes meas non esse gratuitas. Quo maior scientia quaeritur, eo maius pretium solvendum est.
Quapropter, si adhuc paginas meas legere vis, sive ex audacia, sive ex curiositate, sive ex insania, te saluto.”
Dadas as devidas explicações e advertências, precisamos fazer uma pequena introdução a respeito do tema que gerou essa lista.
O curta-metragem francês “Lá Mânoir du Diable” (A Mansão do Diabo), de 1896, pode ser considerado o primeiro filme do que viria a ser o subgênero de possessão. Porém, foi só em 1973, que o “filme de possessão e exorcismo” criou suas bases e tornaria essas temáticas recorrentes do terror, influenciando não somente o cinema, mas outras produções até os dias atuais.
Dessa forma, o Cinemaníacos selecionou seis filmes de possessão e exorcismo que você deveria assistir.
Um detalhe: depois que escolhemos os títulos, vimos que quase todos os filmes são baseados, de alguma forma, em fatos reais. Ainda está conosco? Então reze um terço, pegue seu crucifixo ou Bíblia, e vamos lá.
O Exorcista (1973)
Onde assistir: HBO Max
SINOPSE: Em Georgetown, Washington, Chris MacNeil (Ellen Burstyn) vai gradativamente tomando consciência que sua filha de doze anos, Regan (Linda Blair), está tendo um comportamento completamente assustador. Deste modo, ela pede ajuda ao padre e psiquiatra Damien Karras (Jason Miller), para levantar provas de que a garota está possuída pelo demônio. Com a ajuda do Padre Merrin (Max von Sydow), eles vão tentar livrar a menina desta terrível possessão.
Por que assistir?
O filme que popularizou e solidificou o tema de possessão e exorcismo no cinema e influenciou outras produções fora da Sétima Arte. “O Exorcista” criou bases e elementos que quase todos os outros filmes desse subgênero do terror que vieram depois, utilizam de alguma forma.
Muitos dizem que esse filme não é assustador, mas muito provavelmente você prefere longas-metragens com jump scares como “Invocação do Mal”. O mérito de “O Exorcista” se preza por criar um horror psicológico, que vai em uma crescente de desespero e terror.
Muitos dizem que esse filme é datado e que a história é batida. Mas “O Exorcista” continua muito a frente do seu tempo em dar vida a uma história perturbadora como essa, com nenhum outro filme igualando o impacto que o longa-metragem de 1973.
Uma verdadeira descida ao inferno, mostrando uma força demoníaca destruindo fisica e mentalmente uma criança.
O Exorcismo de Emily Rose (2005)
Onde assistir: HBO Max
SINOPSE: A jovem estudante Emily Rose (Jennifer Carpenter) morre em um exorcismo realizado pelo padre Richard Moore (Tom Wilkinson). Erin Bruner (Laura Linney), uma advogada famosa, aceita pegar a defesa do padre Moore em troca da garantia de sociedade em uma banca de advocacia. Agora, o ceticismo da advogada é posto à prova quando ela deve defender o sacedorte católico que exorcizou Emily.
Por que assistir?
Baseado no caso de Anneliese Michel, uma jovem que morreu em 1976, após 67 sessões de exorcismo realizadas por padres, que acreditavamque ela estava possuída por demônios, “O Exorcismo de Emily Rose”, possui algumas mudanças em relação a história original, mas que acredito serem mais a uma jogada de marketing, que no caso de “O Exorcista”, que precisou mudar a pedido da Igreja (segundo rumores), várias coisas para manter o anonimato da vítima de possessão e dos envolvidos no exorcismo.
“O Exorcismo de Emily Rose” traz uma história que transita entre o tribunal, onde acompanhamos o julgamento do padre Richard Moore, acusado de ter assassinado a jovem Emily durante as supostas sessões de exorcismo e os eventos paranormai, em forma de flashbacks, que afligiram Emily até o fatídico dia de sua morte
O filme trabalha muito bem com a tensão e o medo de quem assiste, intercalando eventos sobrenaturais com cenas de tribunal, quebrando a tensão, algo como um respirada antes de enfiar nossa cabeça no oceano de horror novamente.
Alguns eventos inclusive foram traduzidos conforme registrados por estudiosos do assunto, como Emily sendo pressionada contra a cama por uma força invisível, ou Erin acordando as 3:15 da manhã, a famigerada hora do Diabo, ouvindo sons e sentido como se algo estivesse em seu apartamento.
Esse também é um ponto legal do filme, pois a infestação dos demônios alcança quem tem contato com Emily ou sua história, alertando para o contato com tais entidades.
Ao contrário de “O Exorcista”, onde o objetivo era mostrar a transformação de uma pré-adolescente em um demônio, dando a Regan MacNeil um aspecto grotesco; em “O Exorcismo de Emily Rose” a ideia foi mostrar essa possessão de forma mais sutil, mas sem deixar de lado a estranheza e o horror da situação. E para isso foram lentes para dar a aparência de olhos totalmente negros, escaras e cortes auto infligidos, lábios rachados, mas nada que desfigurasse a personagem.
Dessa forma, a atriz Jennifer Carpenter, mostrou confiança e talento ao interpretar uma adolescente transicionando para algo demoníaco, sem recorrer a maquiagens pesadas ou efeitos especiais elaborados. O elenco tem ainda Laura Linney, como a advogada Erin e Tom Wilkinson, como o padre Moore, com ambos estando muito bem em seus papéis.
A direção fica por conta de Scott Derrickson, que com esse filme se firmaria como um dos grandes diretores, roteiristas e produtores do cinema de terror.
O Ritual (2011)
Onde assistir: HBO Max
SINOPSE: Michael Kovak (Colin O’Donoghue) é um seminarista cético e decidido a abandonar seu caminho na igreja, mas seu superior o orienta a passar um período no Vaticano para estudar rituais de exorcismo. Uma vez lá, suas dúvidas e questionamentos só aumentam na medida em que seu contato com o padre Lucas (Anthony Hopkins), um famoso jesuíta exorcista, o apresenta ao lado mais obscuro da igreja.
Por que assistir?
“O Ritual” é baseado no livro “The Rite: The Making of a Modern Exorcist”, do jornalista Matt Baglio, que acompanhou a experiência de um padre americano no Vaticano para aprender a distinguir possessão demoníaca de doenças mentais.
Porém, ao assistir o filme fiquei com a impressão que o padre Lucas teve como inspiração e referência o padre Gabriel Amorth, exorcista-chefe do Vaticano, realizando milhares de exorcismo durante sua vida.
Padre Lucas, interpretado pelo incrível Anthony Hopkins, é um experiente exorcista que recebe a missão de fazer o padre Michael Kovak reencontrar sua fé, o levando em suas sessões de exorcismo.
A base de “O Ritual” pode ser expressado pela frase de Friedrich Nietzsche: “Quando você olha muito tempo para o abismo, o abismo olha de volta”. Isso porque à medida que os padres encaram frente a frente demônios, essas mesmas forças infernais tomam conhecimento dos sacerdotes, os colocando em posição e vulnerabilidade. E esse é padre Lucas, que depois de tanto tempo confrontando tais entidades, se torna suscetível aos ataques de tais forças. Já padre Kovak é uma pessoa abençoada, dotada de uma graça, que o faz um candidato perfeito para o sacerdócio, porém sua descrença devido a fatos trágicos, o coloca em perigo.
Vários autores e estudiosos do assunto, e o próprio Gabriel Amorth já disseram que se não quer o Diabo o encontre, não o procure, pois se você adentrar essa porta, ela ficará aberta para que ele venha até você.
O filme também quer mostrar que o Mal visa ruir o bastião das forças do Bem ao fazer sucumbir seu principal sacerdote e acabar com um padre promissor a ingressar na linha de frente da Igreja contra o inferno.
Falar que Anthony Hopkins é um dos melhores atores que já viveram é dizer o óbvio, mas preciso falar que sua atuação em “O Ritual” está impecável. Colin O’Donoghue, apesar de ser o protagonista do filme, entrega o que precisa e completa essa dupla de sacerdotes combatentes das forças malignas. Alice Braga completa o elenco principal, mas sua participação no longa-metragem se deve mais para incluir uma representação do jornalista Matt Baglio.
De todos os filmes dessa lista é o menos assustador ou perturbador e o mais filosófico, debatendo várias ideias a respeito da fé.
Possessão (2012)
Onde assistir: nenhum streaming disponível
SINOPSE: Clyde (Jeffrey Dean Morgan) e Stephanie Brenek (Kyra Sedgwick) estão separados. Quando ele compra uma casa nova, sua filha mais nova Em (Natasha Calis) o convence a comprar uma caixa de madeira muito bem trabalhada. Encantanda pelo artefato, a jovem descobre como se abre, e então, estranhos acontecimentos começam a acontecer. Desconfiado, Clyde procura a ajuda do rabino Tzadok Shapir (Matisyahu), pois a jovem está possuída por um dybbuk, um espírito maligno que se alimenta de seus hospedeiros.
Por que assistir?
As possessões e os exorcismos são eventos registrados e realizados por diversas culturas e religiões desde os tempos ermos da humanidade. Em “Possessão” vemos uma menina sendo infestada por um dybbuk, um espírito possessivo do folclore judaico, que consiste na alma deslocada de uma pessoa morta que se agarra ou se apodera do corpo de uma pessoa viva em busca de descanso ou refúgio.
“Possessão” tem como base uma história que surgiu em 2004: uma caixa dibbuk, uma caixa de vinho judaico comprada por Kevin Mannis para sua mãe pelo site Ebay. Mas a caixa trancafiava um ocupante demoníaco, que amaldiçoou cada dono do objeto até acabar em um museu em Las Vegas. Alguns dos desafortunados em possuir a caixa, supostamente foi o astro pop Post Malone que também foi amaldiçoado por ela.
A história permaneceu como algo real até 2019, quando o vendedor original da caixa, Kevin Mannis, explicou em uma entrevista à Input Magazine que a história era, na verdade, inteiramente fictícia.
Porém em 2011, a caixa dibbuk tinha se transformado em uma espécie de creepypasta bastante famosa na internet, o que levou os roteiristas Juliet Snowden e Stiles White a criar a trama de “Possessão”.
Independentemente da história que originou o filme ser falsa, “Possessão” retira sai da clássica abordagem Católica do tema, para explorar elementos da religião e misticismo judaico. E por mais que algumas coisas pareçam exageradas e até engraçadas para alguns, como o exorcismo realizado por Tzadok Shapir, essa ambientação diferente, torna o longa-metragem interessante e até inovador.
O que gosto em “Possessão” é que ao contrário das entidades demoníacas de outros filmes com essa temática, o dibbuk não quer ser desmascarado, se apossando do corpo da jovem Em aos poucos e sem alarde. O único que nota que algo está errado com a menina é Clyde, mas esse acaba sendo desacreditado pelo espírito invasor.
Agora o mais legal de tudo são os efeitos especiais utilizados para mostrar que Em está sendo habitada por um dibbuk. E é isso mesmo, pois esse espírito parasita, quer um corpo físico para viver. O problema é que o corpo da menina é como uma roupa que ainda não cabe direito na entidade. Isso gera algumas cenas grotescas e horripilantes com mãos que se movem por baixo da pele de Em, deformando seu rosto e seu corpo.
“Possessão” é um horror psicológico bastante instigante e opressor, devido à forma como o dibbuk age e entrega o que propõe: tensão e repulsa.
O elenco conta com os excelentes Jeffrey Dean Morgan e Kyra Sedgwick, mas a atuação de Natasha Calis é espetacular, pois ela consegue entregar uma menina atormentada por um parasita que a faz sofrer de formas homeopáticas, enquanto o espírito possessor vai tomando seu corpo, pouco a pouco.
Livrai-Nos do Mal (2014)
Onde assistir: HBO Max
SINOPSE: O policial Ralph Sarchie (Eric Bana) investiga uma série de crimes que parecem estar conectados. seu caminho se cruza com o do padre especializado em demonologia Mendonza (Edgar Ramírez). Agora Sarchie precisa ir além do seu mundo cético e racional, pois pode estar diante de um plano que envolve forças demoníacas.
Por que assistir?
E vamos de Mia um filme baseado em fatos reais. Ralph Sarchie é um sargento aposentado da NYPD e demonologista católico tradicionalista. Ele escreveu um livro, que detalha muitas de suas investigações paranormais; que serviram de base para “Livrai-Nos do Mal”.
Em ”Livrai-Nos do Mal” acompanhamos Ralph Sarchie, um policial de um grupo especial da Polícia de Nova York, responsável por investigar casos que policiais comuns não pegariam. Ao se deparar com alguns crimes bizarros, percebe uma conexão que envolve a proliferação do mal.
“Livrai-Nos do Mal”se diferencia dos demais filmes dessa lista, porque ele é uma espécie de thriller policial sobrenatural. À medida que Sarchie vai se aprofundando e conectando os crimes passa a ser alvo da força demoníaca que anda pela Big Apple.
A grande sacada de “Livrai-Nos do Mal” está na forma de agir do demônio. Suas intenções continuam sendo a molestar e destruir a criação mais amada de Deus: nós, porém ele não age com raiva e rancor somente, mas de forma calculista, colocando em prática um plano ambicioso.
O embate entre Sarchie e o possuído é bem interessante, pois vemos um jogo de gato e rato, onde o policial é a caça e não o caçador. E para vencer tal entidade, nosso protagonista precisa colocar seu ceticismo e descrença de lado e se perdoar por atos que consomem sua alma de dor.
Os possuídos de “Livrai-Nos do Mal” são os que mais são mostrados com pessoas insanas, sem maquiagens que os desfigurem. Pelo contrário, a aparência deles são de loucos sujos e desleixados, que perderam sua sanidade e só servem a um propósito: o de seguir as ordens dos demônios. Essa visão mais realista, vamos dizer assim, me agrada muito.
O final do filme deixa um pouco a desejar pelo tom didático exagerado dado ao exorcismo. Além disso, o padre Mendonza não convence ninguém que é um sacerdote da Igreja e um demonologista experiente.
Já Eric Bana entrega mais uma ótima atuação e mostra sua versatilidade em interpretar papéis variados. O ator faz uma mescla convincente de um policial atormentado pelos horrores que vê nas ruas, que começa a afastá-lo da sua família, que juntamente em sua falta de fé em Deus, se mostra incapaz de vencer o demônio.
A direção desse filme também de Scott Derrickson, que entrega uma ótima história de possessão e exorcismo bem diferente de “O Exorcismo de Emily Rose”, mostrando sua versatilidade no gênero do terror.
Bônus: O Diabo e o Padre Amorth (2017)
Onde assistir: Netflix
SINOPSE: O documentário conta a história do nono exorcismo realizado em uma mulher pelo falecido e reconhecido exorcista italiano Gabriele Amorth. Cristina, uma mulher italiana que depois de passar por uma depressão começou a se comportar de forma estranha durante as festas religiosas e se tornou incapaz de realizar qualquer tipo de trabalho. Ao não encontrar uma solução médica, um psiquiatra aconselhou que fosse atendida por Padre Amorth, que lhe realizou nove exorcismos durante nove meses.
Por que assistir?
William Friedkin, conhecido por ter dirigido “O Exorcista”, em 1973, teve a oportunidade de ver um verdadeiro exorcismo e filmá-lo, quatro décadas depois de rodar seu filme mais famoso, foi completamente por acaso, porém ele quis com esse documentário alertar e conscientizar as pessoas que uma batalha invisível mas extremamente perigosa pela alma humana continua sendo travada.
O documentário traz entrevistas com escritores e estudiosos sobre demonologia que alertam que explorar tal assunto pode ter consequências perigosas. E claro que o ponto alto é vermos uma exorcismo realizado pelo padre Gabriel Amorth e presenciarmos uma pessoa sendo infestada de verdade por um espírito opressor.
