SINOPSE: Três anos antes dos eventos de “Alien: O Oitavo Passageiro” (1979), uma misteriosa nave espacial cai na Terra, dando início a uma descoberta fatídica que colocará um grupo de soldados táticos e a jovem Wendy (Sydney Chandler) frente a frente com uma ameaça alienígena devastadora. Enquanto buscam por sobreviventes entre os destroços, a equipe encontra formas de vida predatórias e assustadoras, mais perigosas do que poderiam imaginar. A ameaça crescente exige que o grupo lute para sobreviver e decida como lidar com essa descoberta, que pode mudar o destino do planeta.

Recentemente, duas das franquias de ficção científica e ação mais aclamadas da história do cinema, foram revitalizadas e estão novamente fazendo sucesso e gerando reações positivas de crítica, bilheteria e público.

“Predador” voltou com tudo após “Predador: A Caçada” (2022). Esse ano já tivemos a incrível animação “Predador: Assassino de Assassinos” e em novembro chegas aos cinemas “Predador: Terras Selvagens”.

“Alien” iniciou em 1979, com “Alien: O Oitavo Passageiro” e que após o fiasquento “Alien: Covenant” quase levou o xeromorfo à extinção cinematográfica. Mais eis que em 2024, “Alien: Romulus” chegou e foi sucesso de público e crítica, fazendo a franquia voltar com tudo, com uma sequência desse filme já confirmada. Mas o otimismo gerado foi tanto que a Disney bancou a ideia de uma série: “Alien: Earth”.

A série explora além de conceitos já consagrados. ideias diferentes e interessantes. Mas será que essa abordagem em “Alien: Earth” funcionou?

Antes de mais nada é interessante dizermos onde “Alien: Earth” se encaixa na cronologia da franquia. A série se passa em 2120, depois de “Alien: Covenant” (2104) e “Alien: O Oitavo Passageiro” (2122). Dessa forma temos uma ambientação mais próxima do primeiro filme, com computadores que usam monitores de tubo e tela verde, naves com paredes brancas ou com tubos aparecendo. Mas esse ar retrô cria um contraste interessante com as altas tecnologias que aparecem na série como as viagens em espaço profundo, a criação de sintéticos, ciborgues e até a transferência da consciência humana.

E essa questão foi o que gerou muitos comentários, pois Noah Hawley, criador e diretor da série, disse que o tema principal da série seriam os sintéticos e sua relação com os humanos. Isso gerou um estranhamento por parte de algumas pessoas, que chegaram a dizer que “Alien: Earth” estava se desviando do cânone da franquia. Porém, os sintéticos são sim parte do cânone da franquia e são personagens fundamentais para toda a história de “Alien” em suas mais variadas mídias. Ash (Ian Holm) é o primeiro androide da franquia e o primeiro vilão. Esse personagem aparece em outras filmes e em livros da franquia, cumprindo sua programação de proteger e levar um xenomorfo para Weyland-Yutani, sendo capaz de tudo para alcançar tal objetivo.

Temos também David (Michael Fassbender), o androide que acompanha Peter Weyland (Guy Pearce) até um dos planetas-base dos Engenheiros e que se livra da programação de seus criadores, se tornado consciente e conduzindo experimentos que dão origem aos xenomorfos (essa parte é a pior cagada que Ridley Scott já cometeu em toda sua carreira fantástica).

Em “Alien: Earth”, Noah Hawley expande o conceito dos sintéticos, onde temos três tipos de tecnologia: os ciborgues (humano com algumas partes sintéticas), os próprios androides e os híbridos. Os híbridos são pessoas que tem sua consciência transferida para um corpo sintético, e são criação de Boy Kavalier (Samuel Blenkin), CEO da Prodigy Corporation e o trilionário mais jovem do mundo.

Cada um dessas criaturas geradas a partir da nossa tecnologia parecem possuir comportamentos próprios. Morrow (Babou Ceesay), oficial de segurança ciborgue da USCSS Maginot, em alguns momentos, aparenta ser menos humano que os próprios androides, já que sua fidelidade a Weyland-Yutani parece uma programação que veríamos no cérebro artificial dos sintéticos. Já Kirsh (Timothy Olyphant), principal cientista sintético da Prodigy Corporation, toma decisões e conduz experimentos que vão além do que foi programado para fazer, a ponto de dissimular e mentir para seu próprio criador.

E já me adianto dizendo que Kirsh é o melhor personagem de “Alien: Earth”. Sua construção narrativa é interessante, nos fazendo querer saber mais sobre ele e torcendo várias vezes por ele e por seus planos. Timoty Olyphant, através de sua atuação impecável, consegue traduzir um sintético que alcançou a consciência ou está perto disso, mas esconde muito bem esse fato, deixando escapar aqui e ali, através de um olhar menos frio ou leve sorriso surgindo em seus lábios.

E temos os híbridos, que são o tema central de “Alien: Earth”. Wendy (Sydney Chandler), Slightly (Adarsh Gourav), Curly (Erana James), Nibs (Lily Newmark) e Smee (Jonathan Ajayi) são crianças que tinham alguma enfermidade terminal e que graças a tecnologia criada pela Prodigy Corporation, tiveram suas consciências transferidas para corpos sintéticos. Dessa forma as referências de Peter Pan são óbvias, já que elas serão eternas.

Além de Peter Pan, outras obras são referenciadas, sendo “Frankenstein” a mais evidente. Outra referência que passou pela minha cabeça foi a série “Westworld”, envolvendo pessoas artificiais, conhecidas como anfitriões, que adquirem consciência e a transferência da mente humana daqueles que podem pagar por tal procedimento. Tanto no livro de Mary Shelley quanto na produção da HBO o recado é claro: a derrocada humana se dará pela sua arrogância ao criar uma criatura que se sobreporá ao criador.

Os híbridos em “Alien: Earth” é que a mente são de crianças em corpos que lhe conferem força, resistência e agilidade acima da nossa; seus cérebros são capazes de calcular e interpretar as coisas em uma velocidade e escala muito acima da nossa. E esse não é um tema que vem gerando receio para os homens: e quando uma IA adquirir consciência plena, com todo seu poder de processamento, ela será nossa aliada ou nossa inimiga? Como a própria evolução nos mostra: uma espécie superiora tende a extinguir a inferior, como aconteceu com os neandertais quando o homo sapiens surgiu.

Outra questão bastante interessante é a expedição da USCSS Maginot, que tinha como objetivo trazer espécies alienígenas para serem estudadas e servirem de arma para a Weyland-Yutani e consolidar o conglomerado como o mais poderoso da Terra. O problema é que essas espécies são predatórias e como disse Kirsh: “O homem era comida e parou de ter medo de outras espécies quando deixou de ser comida. Vai ser interessante ver como os humanos reagirão quando voltarem ao cardápio”.

E de todas os alienígenas que são trazidas pela Weyland-Yutani, o occilus ou o polvolho, como gosto de chamar, é o mais interessante. A criatura que consiste em um globo ocular com tentáculos parece ser somente uma espécie parasita que age por instintos, porém ao longo da série percebemos que ela é senciente no mesmo nível ou até superior aos humanos, esperando analisando e planejando seus passos com uma precisão assustadora. Quais são seus objetivos, “Alien: Earth” não mostrou, mas acredito que deva ser explorado à medida que o polvolho ficar mais tempo infectando um corpo humano e sendo capaz de controlar todas nossas funções fisiológicas e sensoriais.

Outro ponto que “Alien: Earth” explora é o fato da Terra ser controlada por cinco grandes corporações. Nas produções da franquia até agora, só tínhamos ouvido falar da Weyland-Yutani, mas na série ficamos sabendo que essa megacorporação é a mais poderosa do planeta, mas a balança do poder que pende a seu favor, pode mudar a qualquer momento, e por esse motivo decidem trazer espécies alienígenas.

A série fala de sintéticos, de guerra entre megacorporações e de importação de raças alienígenas, mas e os xeromorfos? Eles também estão presente e continuam sendo a principal atração em “Alien: Earth”. E na série os vemos com uma violência que não foi mostrada em nenhum filme. Seus ataques sempre resultam em desmembramentos, estripações e muito sangue. Acredito que um dos motivos para essa demonstração de violência tão gráfica é que no cinema os estúdios tentam maximizar os lucros, colocando classificação indicativa mais baixas, geralmente para maiores de 13 anos, o que não permite o que vemos em “Alien: Earth”.

Mas admito que gostei dessa violência mais gráfica pois mostra que dentre todas as espécies alienígenas, o xeromorfo continua sendo a mais perigosa de todas. Além disso, “Alien: Earth” confirma que se trata de uma criatura senciente e expande sua mitologia ao mostrar sua forma de comunicação e que ela pode interagir com outras espécies.

A existência de CGI na série é clara principalmente para alguns alienígenas, mas no caso do xeromorfo, quase tudo que vemos são efeitos práticos, sejam animatrônicos, sejam pessoas vestidas, com os efeitos especiais dando aquele retoque final ou criando sequências impossíveis de serem produzidas praticamente.

As atuações de todos os atores e atrizes estão incríveis, destacando como disse Timothy Olyphant. Mas Sydney Chandler, Adarsh Gourav, Erana James, Lily Newmark e Jonathan Ajayi estão espetaculares interpretando crianças em corpos sintéticos, sejam no fato de que eles não piscam quando seus rostos estão enquadrados ou nos maneirismos infantis que dão aquele charme a esses personagens. E dentre as crianças perdidas da Prodigy Corporation, Smee é o mais carismático e divertido.

Noah Hawley honra o legado da franquia em “Alien: Earth” e a expande de forma empolgante e convincente e em um nível, que talvez só tenha visto nos livros desse universo. Então se havia alguma dúvida se Noah Hawley era capaz de assumir essa responsabilidade, a resposta é um grande sim.

“Alien: Earth” termina sua primeira temporada cheio de inconclusões tais como a consciência dos híbridos de que eles são superiores a nós, qual o destino das raças alienígenas trazidas à Terra, e maior pergunta de todas: o que aconteceu com os xenomorfos que vieram, já que nos filmes posteriores à serie, de acordo com linha temporal, a Weyland-Yutani continua os procurando?

Ainda não há confirmação de renovação, mas se depender do público: no Rotten Tomatoes possui a segunda melhor avaliação e no IMDb tem nota 7,3/10, ficando atrás somente de “Alien: O Oitavo Passageiro” (8,5/10) e de “Aliens: O Resgate” (8,1/10), além da enxurrada de críticas positivas, uma nova temporada de “Alien Earth” deve receber o sinal verde da Disney muito em breve.

Por honrar o legado e expandir a história de uma das franquias mais importantes da ficção científica como nenhuma outra produção conseguiu até agora, de forma tão convincente e orgânica, trazendo elementos clássicos em suas versões originais e os repaginando, além de enriquecendo essa mitologia já tão incrível, é que digo que vale muito a pena assistir a primeira temporada de “Alien: Earth”!

E digo mais (desculpa papai Joel): é até agora, a melhor série de 2025, com pouquíssimas chances de perder esse posto!

Ficha Técnica:

Título Original: Alien: Earth

Título no Brasil: Alien: Earth

Gênero: Ficção Cientítica, Terror

Temporadas:

Episódios: 8

Criadores: Noah Hawley

Produtores: Noah Hawley, Ridley Scott, David W. Zucker, Dana Gonzales, Joseph E. Iberti, Clayton Krueger

Diretores: Noah Hawley, Dana Gonzales, Ugla Hauksdóttir

Roteiro: Noah Hawley, Bob DeLaurentis, Bobak Esfarjani, Lisa Long, Maria Melnik, Migizi Pensoneau

Elenco: Sydney Chandler, Alex Lawther, Essie Davis, Samuel Blenkin, Babou Ceesay, Adarsh Gourav, Erana James, Lily Newmark, Jonathan Ajayi, David Rysdahl, Diêm Camille, Moe Bar-El, Adrian Edmondson, Timothy Olyphant, Sandra Yi Sencindiver, Kit Young

Companhias Produtoras: 26 Keys Productions, Scott Free Productions, FXP

Transmissão: Disney+

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Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

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