SINOPSE: O assassino Chacal (Eddie Redmayne) é um atirador de elite e um mestre dos disfarces, que mata friamente mediante pagamento. Após um ataque contra um político famoso e importante, o Chacal recebe seu trabalho maisarriscado, mas que pagará o suficiente para que se aposente. Só que seu trabalho atraiu a atenção de Bianca (Lashana Lynch), uma agente do MI-6 tenaz e com uma grande experiência em armas de fogo, o que faz dela a candidata perfeita para prendê-lo. Ambos arriscam tudo para cumprirem seus objetivos, levando essa caçada ao limite, causando consequências desastrosas em suas vidas pessoais.
Ilich Ramírez Sánchez, conhecido como Carlos, o Chacal, foi um revolucionário de extrema-esquerda e mercenário. Em 1975, executou o sequestro que lhe deu fama mundialmente: reteve onze ministros de países-membros da OPEP, que estavam reunidos em Viena, Áustria. O incidente acabou com a morte de três pessoas e a sua fuga. Após uma série de outros atentados, se tornou nas décadas de 1970 e 1980, o homem mais procurado do mundo, por todos os serviços secretos ocidentais.
Sua alcunha foi-lhe dada pela imprensa depois que foi encontrada no seu quarto de Hotel, após o assassinato de dois policiais, uma cópia da novela “O Dia do Chacal”, de Frederick Forsyth.
Tanto a história de Ilich Ramírez Sánchez como a do livro de Frederick Forsyth viraram filmes: “Carlos, O Chacal” (2010), “O Dia do Chacal” (1973) e “O Chacal” (2997). A primeira produção é baseada na figura real enquanto os outros dois longas-metragens são baseados no livro.
Ano passado o assassino criado por Frederick Forsyth ganhou uma nova adaptação, agora no formato de série: “A Hora do Chacal”, disponível no Disney+.
A primeira coisa que gostei na série é ela se passar na Europa. O fato do continente ter sido o tabuleiro da Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética, com várias agências de inteligência como CIA, KGB, MI6, Mossad, e outras, trabalhando em benefício de suas respectivas nações, parece dar um charme especial para histórias com essa temática.
Em “O Dia do Chacal”, o assassino arma um ataque de bandeira falsa para matar um influente político alemão de extrema-direita. A partir desse trabalho, o Chacal é procurado por Zina (Eleanor Matsuura) para matar o bilionário Ulle Dag Charles (Khalid Abdalla). Mas o tiro dado pelo Chacal no ataque a família Manfred, chama atenção do MI6, por causa da distância impossível do tiro certeiro do sniper.
A série apresenta uma narrativa dentro da receita de outras produções com essa temática, o que não é nenhum demérito, uma vez que histórias de espionagem e terrorismo existem aos montes o que torna bastante difícil trazer algo inédito.
Talvez, o motivo das pessoas que contratam o Chacal possa ser considerado algo diferente: Ulle pretende lançar um programa gratuito que rastreia o dinheiro das grandes fortunas do mundo até a origem, criando transparência e revelando quais riquezas tiveram uma ajudinha ilícita. Então, um grupo de ricos e poderosos contratam o Chacal para matar Ulle antes do lançamento do programa, enterrando essa ideia que pode prejudicá-los.
É nesse contexto que somos apresentados aos dois principais personagens da primeira temporada: o Chacal e a agente do MI6, Bianca Pullman. Então inicia-se um jogo de gato e rato onde será medido qual dos dois é mais obstinado, onde qualquer erro pode ser fatal.
Bianca é uma agente do MI6 especialista em armas de fogo que ao ser chamada para participar da reunião sobre o atentado a Elias Fest, vê a oportunidade de subir dentro da agência de inteligência britânica. Porém sua ambição a fará ultrapassar quaisquer limites para alcançar seu objetivo: descobrir quem é o Chacal e prendê-lo, inclusive abdicar de sua família, se for preciso.
Porém, o alvo de Bianca, é um assassino metódico, frio e tão obstinado quanto a agente do MI6. O Chacal planeja de forma meticulosa o antes, o durante e o depois de seus assassinatos. Sua única fraqueza é sua família, que o faz tomar decisões emotivas e perigosas, como aceitar matar Ulle Dag Charles, mesmo sabendo todos os riscos e imprevisibilidades que ultrapassam muito seu senso de risco.
Esse conflito interno dos dois personagens cria personalidades ambíguas e que tiram tanto o Chacal quanto Bianca do preto e branco, e os colocando na zona cinza da moralidade. Porém, fico com a impressão que se fosse para escolher lados na primeira temporada, a agente do MI6 seria a vilã, devido a sua ambição profissional que a faz ultrapassar limites éticos e colocar em segundo plano sua própria família.
Não quero dizer que o Chacal seja o herói da primeira temporada, porém, ele faz de tudo para proteger sua família de seu trabalho, a ponto de aceitar o trabalho, cheio de “ses”, de executar Ulle, pois o que ele irá receber, US$ 100 milhões, é sua aposentadoria da sua vida de assassino profissional de aluguel.
E dessa forma, precisamos falar da escolha do ator para viver o personagem principal da série: Eddie Redmayne. Admito que vê-lo como o Chacal nos primeiros episódios me causou certo estranhamento, pois não conseguia associá-lo interpretando um assassino, muito por causa de seus trabalhos anteriores: ele viveu Stephen Hawking em “A Teoria do Tudo”, papel que lhe deu o Oscar de Melhor Ator em 2015; ou como Newt Scamander de “Animais Fantásticos e Onde Habitam” e “Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore”.
Mas com o desenrolar da primeira temporada, Eddie Redmayne deu ao Chacal algo diferente. Não sei se vou conseguir me expressar direito, mas o porte e a fisionomia do ator, juntamente com sua interpretação, deram uma espécie inumanidade ao personagem. E esse aspecto do personagem me agradou muito à medida que a série avançava.
Agora, se essa inumanidade do personagem se tornou algo natural para mim, a parte afetiva dele, onde vemos ele demonstrando seus sentimentos me pareceu um pouco forçada. Ia comentar nessa resenha que poderia ser devido à atuação de Eddie Redmayne ou do roteiro que me causou essa impressão, mas refletindo mais sobre o assunto, acho que é devido a esse aspecto inumano que ficou impresso no Chacal que torna a demonstração de sentimentos dele algo artificial.
Falando um pouco do roteiro, “O Dia do Chacal” segue o básico de histórias de espionagem, mas a história é conduzida de tal forma, que vamos nos envolvendo mais e mais com os personagens e com a trama da série, e à medida a série avança, ficamos ansiosos pelos próximos acontecimentos, como a revelação que o assassinato de Ulle envolve mais que somente ricos com medo de serem expostos, mas o encobrimento do envolvimento de organizações governamentais importantes.
A fotografia e as locações escolhidas na Hungria, Áustria e Croácia fazem seu papel de forma muito competente, entregando toda a ambientação de uma história de espionagem que se estende por vários países europeus.
O desfecho da primeira temporada é o confronto, cara a cara, entre o Chacal e Bianca, onde o mais obstinado, o mais determinado, vence.
A série teve uma boa recepção, recebendo uma nota 8,1/10 no IMDb e foi indicada a várias premiações da televisão e streaming. Isso fez com que “O Dia do Chacal” tenha sido renovada para uma segunda temporada, onde devemos ter uma busca por vingança e resgate da família.
Com aquele tom de espionagem clássico, uma trama bem amarrada e um protagonista instigante, digo que estou bastante ansioso pelo segundo ano da série. Dessa forma, só posso dizer que vale a pena assistir “O Dia do Chacal”.
Ficha Técnica:
Título Original: The Day of the Jackal
Título no Brasil: O Dia do Chacal
Gênero: Espionagem, Suspense, Drama
Temporada: 1ª
Episódios: 10
Criadores: Ronan Bennett
Produtores: Christopher Hall
Diretores: Brian Kirk, Anthony Philipson, Paul Wilmshurst, Anu Menon
Roteiro: Ronan Bennett, Jessica Sinyard, Charles Cumming, Shyam Popat
Elenco: Eddie Redmayne, Lashana Lynch, Úrsula Corberó, Chukwudi Iwuji, Khalid Abdalla, Lia Williams, Eleanor Matsuura, Sule Rimi, Ben Hall, Jonjo O’Neill, Puchi Lagarde, Jon Arias, Charles Dance, Nick Blood, Patrick Kennedy, Richard Dormer
Companhias Produtoras: Sky Studios, Universal International Studios, Carnival Film and Television
Transmissão: Disney+
