SINOPSE: Matt Murdock (Charlie Cox), um advogado cego com habilidades aguçadas, luta por justiça em seu movimentado escritório de advocacia. Paralelamente, Wilson Fisk (Vincent D’Onofrio), ex-chefe da máfia, emerge como uma figura influente, perseguindo ambições políticas e consolidando seu poder. Quando segredos do passado de ambos começam a ressurgir, suas trajetórias se entrelaçam em um confronto inevitável que desafiará não apenas suas convicções, mas também seus limites físicos e emocionais.
Em 2015, a Marvel em parceria com a Netflix lançava a série do “Demolidor”. Com uma proposta mais pé no chão e mais adulta que os filmes do MCU, a produção seriada do Homem Sem Medo foi um sucesso, o que deu sinal verde para a produção das séries de “Jessica Jones”, “Luke Cage” e “Punho de Ferro”.
Porém, das quatros séries, “Demolidor” foi a única que realmente fez sucesso a ponto de terem sido feitas três temporadas. E que continuaria tendo novos anos se a Disney e a Netflix não tivessem terminado a parceria, cancelando a produção em 2018.
Após sete anos na geladeira, chegou a primeira temporada de “Demolidor: Renascido”, agora produzida pela Marvel Television.
A primeira coisa que precisamos entender é que a série do Demolidor produzida pela Marvel teria um tom completamente diferente. A primeira versão do Demônio de Hell’s Kitchen do MCU apareceu na horrível “She-Hulk”. Apesar de estar trajando o uniforme predominantemente amarelo, remetendo as primeiras versões do super-herói nos quadrinhos, ele era mais cômico, algo mais próximo do humor que costumamos ver nos filmes do MCU.
Essa versão foi completamente descartada e a série e reescrita do zero, remetendo ao Demolidor que vimos na produção da Netflix. Mas essa guinada no tom, muito se deu à boa recepção que “Eco” teve, e que faz parte do universo do super-herói.
“Eco” é uma série mais violenta e séria, e a boa recepçãoqque ela teve, serviu de parâmetros para que “Demolidor” viesse para a Marvel Television na versão que vimos na Netflix
Outro fator que contribuiu para que houvesse essa mudança de tom em “Demolidor: Renascido” é a postura da Marvel, onde as produções feitas para a Disney+ não tivessem que ser tão atreladas ao MCU, o que causava uma certa restrição criativa.
“Demolidor: Renascido” faz parte do MCU, bem com as séries da Netflix, porém, ela não está subordinada aos eventos principais desse multiverso. Então, o Demônio de Hell’s Kitchen vai ser impactado pelos eventos de “Vingadores: Doomsday” e “Vingadores: Guerras Secretas”, mas sua luta contra Wilson Fisk e as injustiças nas ruas de Nova York acontecem de forma independente.
“Demolidor: Renascido” se passa cinco anos após os eventos da temporada final da série da Netflix e já inicia com os dois pés na porta, ao mostrar o Mercenário (Wilson Bethel) assassinando Foggy Nelson (Elden Henson), culminando em luta brutal com o Homem Sem Medo.
A brutalidade da luta entre esses dois personagens é retratada em um ótimo plano sequência, dando uma visceralidade à situação e também é uma homenagem as sequências gravadas com esse recurso na produção da Netflix.
E esse tom visceral e sujo está presente em todas as sequências de luta e violência de “Demolidor: Renascido”, mostrando que, até um herói cheio de princípios lidará com a brutalidade das ruas e becos escuros e com os habitantes que vivem ou saíram desses locais, afetando sua própria índole.
E esse é o ponto de partida de.”Demolidor: Renascido”, pois após uma trocação enfurecida golpes, onde o vilão e o herói demonstram suas habilidades (o Mercenário com sua capacidade de transformar qualquer objeto em arma e o Homem Sem Medo com seus sentidos super-apurados e seu treinamento marcial), culmina com Matt tentando matar o assassino de Foggy em uma cena que me surpreendeu a ponto de pensar: eita porra!
Atravessando essa linha que Matt jurou não cruzar, saltamos um ano no tempo e vemos nosso protagonista tentando levar sua vida como advogado e tendo abandonado sua persona de Demônio de Hell’s Kitchen. Porém, ele passa a viver um dilema: sabe que Nova York precisa do Demolidor, mas não confia que seja capaz de controlar a fúria interior desencadeada pela morte de seu melhor amigo e pelo assassino ainda estar vivo.
Esse dilema é bem construído e o ponto alto é a conversa sensacional entre Matt Murdock e Frank Castle (Joe Bernthal), onde de um lado temos uma pessoa atormentada por luto e raiva e que está em conflito com seus princípios e do outro lado um personagem que vê na violência e na justiça a qualquer preço uma forma de aliviar a dor que sente pela impunidade vivida. E dessa forma vemos que a linha entre se manter “íntegro” ou liberar toda sua fúria e frustração é fácil e ser cruzada. Coloquei a palavra íntegro entre aspas, pois no diálogo em questão, não há certo ou errado, mas somente o comportamento humano sendo observado.
Como Matt Murdock vive um dilema moral, Wilson Fisk também tem um impasse: ao se tornar prefeito de Nova York, ele tenta conquistar o poder que tanto almeja através dos caminhos legais. Porém, seu passado o atormenta e sua persona de Rei do Crime surge como um obstáculo gigantesco para seus planos.
Dessa forma a primeira temporada de “Demolidor: Renascido” trata da quase inevitabilidade humana de mudar de forma radical de vida: Matt Murdock não quer ser algo que adotou para sua vida: um super-herói, e Wilson Fisk deseja enterrar seu passado criminoso de vez ao assumir a cadeira de prefeito. E digo que essa parte da série é muito bem trabalhada, envolvendo quem está assistindo.
O ponto de virada é o confronto entre o Demolidor e Muso (Hunter Doohan), um serial killer que faz artes brutais e violentas, utilizando sangue de suas vítimas como tinta. Ao enfrentar esse assassino Matt Murdock veste o manto do Herói Sem Medo novamente, fazendo com que Wilson Fisk retorne aos seus hábitos criminosos. O retorno do Rei do Crime, faz com que o Demolidor haja com mais frequência, e dessa forma, criando um círculo que se autoalimenta.
“Demolidor: Renascido” tem um tom mais sério e violento que as demais produções da Marvel, porém menos sombrio e escuro que foi apresentado na Netflix. Mas ambas as produções apresentam um cansaço narrativo à medida que os episódios avançam, apesar que em “Demolidor: Renascido” essa sensação é menor.
Na série na Netflix cada temporada tinha cerca de 13 episódios que associado a uma trama mais linear, fazia com que os primeiros e o últimos episódios fossem bons e os demais se tornassem uma “encheção de linguiça”. Na produção da Marvel Television são nove episódios e para quebrar o marasmo no meio da temporada, introduz tramas paralelas bem construídas e até mesmo um episódio filler, no qual Matt Murdock em um banco, se vê refém no meio de um assalto, e precisa, sem revelar sua identidade secreta e seus dons especiais, desbaratinar essa operação criminosa. Aliás, esse episódio é o melhor dessa temporada.
Antes de terminar a resenha, preciso dizer que o elenco principal continua muito à vontade nos seus respectivos papéis. Como Hugh Jackman e Wolverine, Charlie Cox e Vicent D’Onofrio são as melhores escolhas para o Demolidor e Wilson Fisk. Mas é preciso também destacar os demais atores e atrizes de série desempenham muito bem seus personagens, em um casting excelente na sua totalidade, como poucas vezes vi.
O final dessa temporada termina com os planos do Rei do Crime se consolidando e Matt Murdock tendo que lidar agora com um esquadrão anti-vigilantes, compostos de policiais corruptos e violentos caçando o Demolidor e os demais super-heróis de Nova York. Dessa forma, a guerra está declarada e o Demônio de Hell’s Kicthen deverá reunir seus aliados como Jessica Jones e o Justiceiro para deter os planos de Wilson Fisk.
A volta do Homem Sem Medo, agora sob a tutela da Marvel Television, com algumas ressalvas, foi muito acertada, tanto em manter o tom que vimos na série produzida pela Netlfix, como com alguns toques característicos do MCU. Espero que os responsáveis corrijam os desvios apresentados nesse primeiro ano e potencializem o que deu certo até agora para que tenhamos uma segunda temporada incrível.
Dito tudo isso, só posso dizer que vale a pena assistir “Demolidor: Renascido”!
Ficha Técnica:
Título Original: Daredevil: Born Again
Título no Brasil: Demolidor: Renascido
Gênero: Super-Herói
Temporadas: 1ª
Episódios: 9
Criadores: Dario Scardapane, Christopher Ord, Matthew Corman
Produtores: Rudd Simmons, Kevin Feige, Louis D’Esposito, Brad Winderbaum, Sana Amanat, Chris Gary, Dario Scardapane, Chris Ord, Matt Corman, Justin Benson, Aaron Moorhea
Diretores: Aaron Moorhead, Justin Benson, Michael Cuesta, Jeffrey Nachmanoff, David Boyd
Roteiro: Dario Scardapane, Matt Corman, Chris Ord, Jill Blankenship, David Feige, Jesse Wigutow, Grainne Godfree, Thomas Wong, Jesse Wigutow, Dario Scardapane, Heather Bellson, Dario Scardapane
Elenco: Charlie Cox, Vincent D’Onofrio, Margarita Levieva, Deborah Ann Woll, Elden Henson, Wilson Bethel, Zabryna Guevara, Nikki M. James, Genneya Walton, Arty Froushan, Clark Johnson, Michael Gandolfini, Ayelet Zurer, Jon Bernthal
Companhias Produtoras: Marvel Television
Transmissão: Disney+
