SINOPSE: Paxton (Chloe East) e Barnes (Sophie Thatcher) são duas jovens missionárias que dedicam seus dias a tentar atrair novos fiéis. Em uma de suas visitas, elas encontram o Sr. Reed (Hugh Grant), um homem aparentemente receptivo e até mesmo inclinado a converter-se. Contudo, a recepção amistosa logo se revela um engano, transformando a missão das jovens em uma perigosa armadilha. Presas em uma casa isolada, Paxton e Barnes veem-se forçadas a recorrer à fé e à coragem para escapar de um intenso jogo de gato e rato.

Admito que alguns filmes não me chamam a atenção por causa de alguns fatores, mas principalmente pela premissa e pelo elenco. “Herege” é o caso de um longa-metragem, que por mais que seja de terror, gênero que sempre desperta minha curiosidade, não me empolgou, tanto pela narrativa quanto pelo ator envolvido.

O que me levou a assistir “Herege” foram as críticas positivas e elogios a seu respeito, que me levou a escolhê-lo quando não achei nada que me chamasse a atenção navegando pelas plataformas de streaming. Mas para minha surpresa, “Herege” tem seus méritos.

Uma das coisas que me agradaram em “Herege” é a mudança do tom ao longo de sua exibição. O encontro e a conversa iniciais entre o Sr. Reed, Paxton e Barnes parece possuir uma tensão sexual, afinal são duas adolescentes dentro da casa de um homem adulto sozinho e que por mais charmoso que pareça, têm algo estranho, com suas perguntas e abordagens pouco sutis às vezes.

Então, à medida que se aprofundam na casa, Paxton e Barnes também se aprofundam nas reais intenções do Sr. Reed, envolvendo um debate de ideias entre os três sobre a primeira, única e real religião do mundo.

Esse embate entre os três personagens é bastante interessante pois o Sr. Reed passou a vida estudando as religiões do mundo e usa seu conhecimento de forma a convencer as duas missionárias de que ele está certo. Mas para sua surpresa ele encontra duas adolescentes conhecedoras do assunto, o que impressiona e encanta o Sr. Reed, fazendo com que ele queira mais do que nunca converter as missionárias para sua “religião”.

Na minha opinião, além desse debate sobre religiões, tive a impressão de que a narrativa quis abordar a questão do idealismo, onde as pessoas se apegam a suas convicções e utilizam de temas e pontos que favoreçam sua retórica, ignorando o outro lado desses mesmos temas. Isso ficou bastante evidente para mim quando o Sr. Reed aborda a questão de que a religião original de onde duas outras surgiram é a que menos cresce no mundo, como forma de validar seu ponto de vista. Mas então Barnes, para defender sua fé, discorre sobre um determinado genocídio histórico para refutar o Sr. Reed.

Mas ao invés de enfurecer o Sr. Reed, ele fica mais e mais motivado a convencer as duas missionárias sobre sua forma de pensar, o levando a tomar medidas cada vez mais radicais. E é nesse ponto que “Herege” pode ser classificado com um filme de terror psicológico.

Nesse ponto “Herege” me lembrou bastante “Não Fale o Mal”, pois você sabe, tanto pelos spoilers existentes na sinopse como nos materiais promocionais, que desde o primeiro encontro entre o Sr. Reed e as duas missionárias que algo está errado e que vai dar muito ruim para Paxton e Barnes. Então como no filme protagonizado por James McAvoy, a tensão não é se existe uma ameaça, mas quando ela será revelada de vez.

Porém, em “Herege” essa ameaça é sutil e de certa forma sedutora. E aqui digo que a escalação de Hugh Grant para o papel de Sr. Reed foi acertada. O ator geralmente lembrado por suas comédias românticas que passavam na Sessão da Tarde, está sempre sorrindo e solícito, nunca perdendo a cabeça ou tendo reações explosivas. Esses traços de personalidade associados a galanteza de Hugh Grant, tornam o Sr. Reed em uma espécie de grande felino: belo, mas perigoso. Um Charles Manson da religião.

Então do primeiro encontro entre os três personagens até o final do filme, existe uma tensão palpável no ar, que nos faz pensar a que ponto o Sr. Reed pode chegar para provar seu ponto de vista, para validar seu idealismo.

A fotografia mais escura e com poucas cores contribui para o clima de mistério e suspense, bem como as atuações do trio principal de protagonistas que entregam atuações carregadas de tensão.

Simples e objetivo, o filme aborda questões controversas a respeito da fé de cada um e da religião como um todo, criando um debate entre emoção e razão, entre acreditar sem explicações ou necessitar de respostas para os mistérios da fé. Essa discussão vem embalada em uma narrativa de suspense e perigo velado, que fazem com que valha a pena assistir “Herege”.

Ficha Técnica:

Título Original: Heretic

Título no Brasil: Herege

Gênero: Terror

Duração: 110 minutos

Diretor: Scott Beck, Bryan Woods

Produção: Stacey Sher, Scott Beck, Bryan Woods, Julia Glausi, Jeanette Volturno

Roteiro: Scott Beck, Bryan Woods

Elenco: Hugh Grant, Sophie Thatcher, Chloe East, Topher Grace

Companhias Produtoras: Beck/Woods, Shiny Penny Productions, Catchlight Studios

Distribuição: A24

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Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

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