SINOPSE: Produzida por diretores do mundo todo,“Love, Death & Robots” é uma série de antologia que reúne contos animados em uma mistura de ficção científica, fantasia, terror e comédia.

A Netflix é a líder mundial do streaming, tanto em assinantes como em lucro financeiro, o que faz com que todos os meses ela inunde sua plataforma com conteúdos novos, originais ou não. Essa enxurrada de séries, filmes, documentários e animações, faz com que fique bem difícil escolher algo para assistir.

Nos últimos anos, a Netflix tem trazidos boas produções no que diz respeito às animações e animes. “Arcane” e “Castlevania” são os melhores exemplos de qualidade técnica e narrativa nesses gêneros. Porém, uma animação, em formato de antologia, se destacou desde o lançamento da sua primeira temporada e que está entre as melhores da plataforma, na minha opinião: “Love, Death & Robots”, que chega ao seu quarto volume.

Como nas resenhas anteriores sobre os três primeiros volumes, vamos falar rapidamente sobre cada episódio e depois dar nosso veredicto sobre a quarta temporada de “Love, Death & Robots”.

Minicontatos Imediatos

Voltamos ao microuniverso de “Love, Death & Robots” em uma história do primeiro contato alienígena dos humanos, que vira uma guerra global, por causa da idiotice humana. Em uma escalada armamentista violenta, o resultado só poderia ser um.

Não é preciso falar muito sobre esse episódio, além do fato de ser simples e divertido como todos os demais desse microuniverso.

Spider Rose

A primeira grande surpresa dessa temporada não está na belíssima animação de “Spider Rose”, mas quem escreveu o roteiro: Joe Abercrombie, o melhor autor de grim dark fantasy: subgênero da fantasia que se caracteriza por cenários e personagens moralmente ambíguos, com ênfase em violência, pessimismo e histórias sombrias e cruéis, onde o bem e o mal não são claramente definidos. Joe Abercrombie é autor da trilogia Primeira Lei e mais recentemente, do elogiadíssimo “The Devil”.

Sabendo quem escreveu o roteiro de “Spider Rose”, fica claro o tom mais ambíguo dos personagens, inclusive da raça alienígena que faz um acordo com a protagonista do episódio.

Como Zeke Entendeu a Religião

De todos os episódios desse volume 4, é o que apresenta o traço de animação mais peculiar, mas que encaixa muito bem quando se apresenta um Caído, criatura invocada por um grupo de ocultista do Terceiro Reich. Para impedir que os planos nazistas de trazerem seres infernais para a guerra, um grupo de aviadores da aeronáutica estadunidense é convocada para bombardear a igreja onde o ritual está sendo realizado.

Considerado por muitos o melhor episódio do volume 4, a história mistura o ocultismo nazista com muita violência, que é o único resultado quando homens precisam enfrentar uma criatura vinda do inferno.

A Outra Coisa Grande

Nesse episódio temos o retorno de “Love, Death & Robots” ao seu universo felino. Aliás, tenho a impressão que esse episódio pode ser o início da decadência humana e a ascensão da sociedade dos gatos vista em outras histórias dessa antologia.

Um gato persa chamado de Sanchez, tem planos de dominação mundial, lembrando muito “Pink e Cérebro”, que vê a oportunidade quando seus idiotas donos humanos trazem um robô que faz todas as tarefas que lhe forem passadas. Surge então uma relação entre o felino e a máquina que resultará no início da revolução dos gatos.

O humor e o sarcasmo ficam por conta de John Scalzi, escritor de ficção científica, que assina o roteiro. Esses tons já são características de sua escrita e que você pode conferir em “A Guerra do velho”, saga literária de sci-fi.

Os Caras do 400

Uma história de gangues em um mundo apocalíptico. Premissa simples e interessante, já que os integrantes desses grupos possuem poderes psíquicos, super agilidade, entre outras habilidades. A rivalidade deles precisa ser colocada de lado, quando criaturas na forma de bebês gigantes, “seres de fora” que “escorreram pelas rachaduras” causadas pela guerra que destruiu o mundo, tomam a rua 400 e ameaçam dominar toda a cidade.

O episódio possui uma premissa interessante e se desenrola de forma bem legal, que lembra um pouco “Fuga de Nova York” e “Warriors” com poderes e criaturas extradimensionais.

O Grito dos Tiranossauros

Na minha opinião, o episódio mais fraco do volume 4. Apesar da bela animação e da premissa interessante de gladiadores que cavalgam dinossauros em uma corrida que lembra “Ben-Hur”, fui perdendo o interesse à medida que a história avançava.

Talvez esse meu desinteresse se deva pela obviedade do desfecho da história.

Gólgota

Outro episódio mediano para ruim, que traz o primeiro contato humano com uma raça alienígena que chega a Terra. Esses seres espaciais, que se assemelham a criaturas marinhas, vieram ouvir a Deusa, uma golfinho fêmea, que decidirá o destino da humanidade. Esse encontro será presenciado por um padre, que tenta convencer os alienígenas que somos dignos.

A mescla de animação CGI e atores reais é bem legal, mas a conversa entre o padre e o alienígena, apesar de abordar pontos interessantes, é bem monótona. E nem mesmo descobrir que quem escreveu o roteiro foi Joe Abercrombie, fez minha opinião mudar.

Pois Ele Se Move Sorrateiramente

O episódio com a premissa mais inventiva do volume 4. Um gato precisa reunir outros felinos (sempre gatos, hehehehehe) para salvar seu dono, um escritor, do Diabo. Simples assim. E nessa simplicidade, somos apresentados a uma história de magia e terror.

Dispositivos Inteligentes, Donos Idiotas

O episódio mais legal da série, onde John Scalzi, com seu humor ácido, escreve um roteiro onde aparelhos domésticos reclamam de suas vidas e de como os humanos os utilizam. De aparelhos largados em armários sem nunca serem usados ao chuveirinho que reclama de como sua dona o usa.
Divertido demais!

Can’t Stop

Muitos vão falar que é o melhor episódio do voluma 4, mas é apenas um clipe, bem legal, diga-se de passagem, que mostra o Red Hot Chili Peppers tocando sua música “Can’t Stop” ao vivo no Slane Castle em 2003, com a banda e o público retratados como marionetes, lembrando muito “Thunderbirds”.

Veredicto

Minha impressão em relação ao volume 4 de “Love, Death & Robots” é que ela foi feita por fazer, algo como: “Olha, temos essa antologia animada e que todo mundo gosta. Que tal fazer mais uma temporada para encher a grade de conteúdo?”. Até a duração dos episódios me passaram essa impressão.

Os volumes anteriores me pareceram mais empolgantes, com episódios bons e ruins, como toda antologia irá ter, mas a sensação é que a quarta temporada de “Love, Death & Robots” foi feita a toque de caixa.

Nem mesmo a participação de grandes escritores como John Scalzi e Joe Abercrombie, que trazem boas histórias, salvam o conjunto da obra.

Não sei se o criador de “Love, Death & Robots”, Tim Miller, ter feito “Nível Secreto”, antologia animada da Amazon Prime Video, com personagens e jogos eletrônicos de sucesso, pode ter influenciado essa “queda” na qualidade narrativa. Mas podemos especular que sim, afinal a Netflix viu um de suas melhores produções sendo emulada, no melhor “copia, mas não faz igual”, em outra plataforma e ficado incomodada

Por ter assistido a todas a temporadas anteriores, e acreditando que se houver uma nova temporada que volte aos eixos do que a antologia animada propiciou, digo que vale a pena assistir “Love, Death & Robots: Volume 4”.

Quer conferir o que achamos dos volumes 2 e 3, episódio a episódio, de “Love, Death & Robots”? Então só clicar nos links abaixo.

Ficha Técnica:

Título Original: Love, Death & Robots: Season 4

Título no Brasil: Love, Death & Robots: Volume 4

Gênero: Ficção Científica, Terror, Fantasia, Comédia

Temporada:

Episódios: 10

Criadores: Tim Miller

Produtores: David Fincher, Tim Miller, Jennifer Miller, Joshua Donen

Diretores: David Fincher, Robert Bisi, Andy Lyon, Jennifer Yuh Nelson, Robert Valley, Patrick Osborne, Tim Miller, Diego Porral, Patrick Osborne, Emily Dean

Roteiro: Robert Bisi, Andy Lyon, Joe Abercrombie, Tim Miller, John Scalzi, Tim Miller, J. T. Petty, Tamsyn Muir

Elenco:                 Anthony Kiedis, Flea, John Frusciante, Chad Smith, Emily O’Brien, Feodor Chin, Piotr Michael, Sumalee Montano, John Boyega, Ed Skrein, Sienna King, Dwane Walcott, Rahul Kohli, Pamela Nomvete, Amar Chadha-Patel, Chris Parnell, John Oliver, Fred Tatasciore, Rachel Kimsey, Rhys Darby, Moe Daniels, Graham McTavish, Phil Morris, Michelle Lukes, Matthew Waterson, MrBeast, Bai Ling, Keston John, Braden Lynch, Roger Craig Smith, Gary Furlong, Bruce Thomas, Andrew Morgado, Scott Whyte, Melissa Villaseñor, Ronny Chieng, Amy Sedaris, Kevin Hart, Josh Brener, Nat Faxon, Niecy Nash-Betts, Brett Goldstein, Dan Stevens, JB Blanc, Jim Broadbent, Nika Futterman, Jane Leeves, Dave B. Mitchell

Companhias Produtoras: Blur Studio, Netflix Studios

Transmissão: Netflix

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Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

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