SINOPSE: Vamos acompanhar um grupo de pessoas isoladas numa ilha, três décadas após o vírus da raiva modificado contaminar grande parte da humanidade, transformando-os em criaturas assassinas. Amparados por um muro e conectados com os territórios contaminados por uma estrada altamente protegida, alguns cidadãos do grupo precisam sair numa missão, eles descobrem novos horrores e mutações que parecem ter acometido não só os infectados, mas também os sobreviventes que ficaram.

Em 2002, estreava “28 Days Later”, que no Brasil chegou como “Extermínio” (bem menos legal que o título original), dirigido por Danny Boyle e protagonizado por Cillian Murphy, ambos em início de carreira. O filme tratava de um surto incontrolável de raiva (e aqui sempre ficou minha dúvida: era o vírus da raiva ou algo fabricado, pois vemos macacos sendo submetidos a exposição forçada de vídeos de violência) que em 28 dias toma toda a Inglaterra. Nesse contexto somos apresentados a Jim, personagem de Cillian Murphy, e outros sobreviventes em busca de um refúgio controlado pelos militares, que alegam ter a cura para essa epidemia devastadora.

“Extermínio”’ inovou em algumas questões ao meu ver. A primeira coisa é evidente: os infectados (e não zumbis, pois as pessoas com o vírus da raiva estão vivas) são uma ameaça real, já que eles são ágeis e correm como alucinados, sem aparentar cansaço. Outro ponto é a velocidade do contágio, que através de fluídos corporais, se dá em poucos segundos. Esses dois fatores mostram que em um possível surto de algo parecido, seria praticamente impossível controlar, já que não há tempo para evitar a contaminação e os vetores dessa doença, os infectados, são rápidos e extremamente violentos. Outra questão é a abordagem mais profunda de dramas pessoais e como diante de uma catástrofe, o ser humano pode pôr para fora, o seu pior lado.

Esses elementos apresentados em Extermínio, serviriam de inspiração para outras produções com essa temática, como “Guerra Mundial Z”, com zumbis alucinados e “The Walking Dead”, mostrando que os dramas pessoais e o pior da natureza humana se farão presentes quando a sociedade desmorona.

O sucesso financeiro do filme (US$ 82,8 milhões para um orçamento de US$ 8 milhões) fez com que ele tivesse uma sequência, intitulada “28 Weeks Later” (“Extermínio 2” no Brasil), lançada em 2007, que não foi tão bem recepcionado pela crítica e bilheteria, que achou ele meio que uma versão requentada do primeiro longa-metragem, mesmo que trouxesse algumas ideias interessantes, como pessoas portadoras do vírus, mas imune aos sintomas e como seria moroso retomar a vida antes da epidemia de uma ilha do tamanho da Inglaterra. Além disso, o fato de termos vetores humanos do vírus que não se tornam infectados raivosos, explica como a doença poderia cruzar as fronteiras da Grã-Bretanha sem que nada pudesse ser feito.

Então, em 2025, após 18 anos, chega “28 Years Later” (Extermínio 3: A Evolução” no Brasil), cercado de expectativas, inclusive da minha parte. Mas antes de assistir ao terceiro longa-metragem dessa franquia, reassisti os dois primeiros filmes e admito que eles não são lá grandes coisas, o que fez meu hype baixar um pouco.

A primeira a coisa, a se destacar em “Extermínio 3: A Evolução”, e na minha opinião, de forma negativa, é que apesar do filme ser classificado como terror, ele quase não tem terror. Por isso se você ver na ficha técnica no final da resenha, o primeiro gênero que coloco é drama, que também não é lá essas coisas.

Mas voltando ao terror, “Extermínio 3” tem pouquíssimos momentos assustadores ou tensos. Existem alguns poucos jump scares, sendo que um me pegou desprevenido e me fez pular na poltrona, e quase nenhum momento de tensão que só senti em uma fuga de Jamie (Aaron Taylor-Johnson) e Spike (Alfie Williams), que ao entrarem em uma casa abandonada, precisam lidar com infectados em corredores e uma escada apertada. Fora esses raros momentos, os infectados não representam grande perigo, mesmo quando temos um Alfa, um líder entre os infectados, mais forte e mais rápido.

A única coisa realmente interessante em relação aos infectados é que como o subtítulo que o filme ganhou no Brasil, eles evoluíram. Se no primeiro e segundo filmes foi colocado que os infectados morriam de fome após alguns meses, agora eles caçam e comem, e até as pessoas não são mais apenas objeto da fúria advinda do vírus, servindo de alimento, propagação e manutenção dessa nova espécie. Aliás, a evolução dessas criaturas mostra que eles adquiriram ou readquiriram certo raciocínio a ponto de se unirem em comunidades e até procriarem entre si.

Nesse ponto, até os dois primeiros filmes tem mais cenas tensas e que podem gerar bons sustos que “Extermínio 3”. E essa falta de elementos de terror mais contundentes me decepcionou bastante pois esse filme em específico vinha como uma das grandes promessas de melhores longas-metragens do gênero em 2025.

Com relação ao drama, “Extermínio 3” também não traz nada muito interessante. O grande plot desse gênero no filme se dá pela busca de Spike em achar uma cura para sua mãe, Isla (Jodie Comer), que resolve se aventurar fora de seu refúgio no meio do mar, em busca do doutor Kelson (Ralph Fiennes). E mais uma vez Danny Boyle e Alex Garland falham em tentar trazer histórias humanas que nos conectem aos personagens. Digo falhar novamente, pois “Extermínio” e “Extermínio 2” também possuem narrativas dramáticas que pouco nos interessam.

Muito dessa falha em transmitir o drama, se deve aos personagens que são enfadonhos e cansativos. Jamie, Isla, Doutor Kelson e próprio infectado Alfa, nos cansam após minutos de exposição no filme, que faz com que não nos importemos com o que vai acontecer com eles.

A única narrativa que realmente importa e cria interesse é envolvendo Spike e Erik (Edvin Ryding), um soldado sueco que naufraga na Inglaterra, que ao falar de celulares, internet, entregadores via aplicativo e outras coisas do nosso dia a dia, causa estranhamento a Spike, o deixando completamente perdido; isso porque após os eventos de “Extermínio 2”, a Inglaterra foi colocada em quarentena de forma definitiva, isolada do resto do mundo, fazendo com que o país e a ilha parassem no tempo. Aliás, através de algumas cenas, “Extermínio 3” passa a mensagem clara que a Grã-Bretanha retornou a Idade Média.

“Extermínio 3: A Evolução” se mostrou um verdadeiro laboratório para as ideias de Danny Boyle e Alex Garland. Músicas que entram e que não fizeram sentido dentro do contexto mostrado (como o poema musicado “Boots” de Rudyard Kipling do trailer abaixo que para a cena em questão no filme me pareceu perdida) ou situações no mínimo esquisitas, sendo a maior delas o final do filme, onde Spike é salvo por Jimmy (Jack O’Connell) e seu bando de “Jimmies”, em uma cena que me pareceu um cosspobre de “Kill Bill” e que deve ter algum sentido futuro, espero.

Essas experimentações eu acredito que seja pelo status que Danny Boyle e Alex Garland possuem na indústria cinematográfica. Boyle é um diretor Oscarizado por “Quem Quer Ser Um Milionário” e Alex Garland é um diretor e roteirista bastante aclamado e por isso devem ter tido uma liberdade maior para colocar o que viesse na cabeça deles. Na minha opinião: essa carta branca dadas aos dois não foi algo legal.

“Extermínio 3” tem se mostrado uma surpresa nas bilheterias, já tendo arrecadado cerca de US$ 80 milhões (para um orçamento de US$ 8 milhões, mas acho que deve ter sido um pouco mais). Dessa forma, os planos de Danny Boyle a Alex Garland em emplacar mais dois filmes da franquia deve se concretizar (“Extermínio 4″ já está sendo produzido e tem data de estreia para 2026). Torcer não custa nada, então espero que os próximos longas-metragens da franquia sejam menos laboratoriais e mais convencionais no que diz respeito ao terror.

No final, o filme é falho em trazer elementos de terror, como jump scares e tensão e continua trazendo dramas pessoais rasos e pouco interessantes. Então por não ser convincente nem como um longa-metragem de terror e nem como uma história dramática, digo que não vale a pena assistir “Extermínio 3: A Evolução”.

E posso dizer, que por fazer parte de uma franquia já estabelecida, “Extermínio 3”, até o momento, é o pior filme de terror de 2025.

Ficha Técnica:

Título Original: 28 Years Later

Título no Brasil: Extermínio 3: A Evolução

Gênero: Drama, Terror

Duração: 120 minutos

Diretor: Danny Boyle

Produção: Danny Boyle, Alex Garland, Andrew Macdonald, Peter Rice, Bernie Bellew

Roteiro: Alex Garland

Elenco: Jodie Comer, Aaron Taylor-Johnson, Jack O’Connell, Alfie Williams, Ralph Fiennes, Edvin Ryding, Christopher Fulford, Amy Cameron, Stella Gonet, Rocco Haynes

Companhias Produtoras: Columbia Pictures, DNA Films, Decibel Films

Distribuição:     Sony Pictures

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Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

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