SINOPSE: Cinco anos após os eventos da primeira temporada, Joel e Ellie vivem em relativa tranquilidade. Porém, quando um evento trágico interrompe a tranquilidade de sua vida, uma Ellie cheia de ódio embarca em uma jornada para Seattle em busca de vingança para fazer justiça. Enquanto ela caça os responsáveis, um por um, ela é confrontada com as consequências físicas e emocionais traumatizantes de suas ações.
A segunda temporada de “The Last of Us” estreou e o Cinemaníacos demonstrando o carinho que tem por essa história, vai manter o formato da resenha da primeira temporada: comentando episódio a episódio, de forma resumida os principais pontos, o que foi adaptado de forma fiel e o que foi alterado em relação ao material original.
Prontos para acompanhar junto conosco a jornada de Joel, Ellie e Abby?
Ep. 2.01 – Dias Futuros
O episódio começa com uma mudança em relação ao game: vemos um grupo de jovens em frente a várias covas, e entre eles, somos apresentados a Abby.
No começo do jogo eletrônico, controlamos uma personagem desconhecida, andando pela neve, perto da cidade de Jackson. Entre uma fuga insana de uma horda de infectados, ela é salva por Joel e Tommy, que são levados para uma casa no topo de uma montanha. Lá são rendidos e descobrimos que a adolescente se chama Abby, e que ela está lá para acertar as contas com Joel. Ou seja, Abby é apresentada sim no começo do game, mas seus motivos para se vingar de Joel não.
Na série, ficamos sabendo que Joel matou alguém muito querido para Abby, a ponto dela querer matá-lo bem lentamente. Essa mudança na narrativa da personagem faz sentido, pois no game, só vamos descobrir o motivo para tamanho ódio e dor lá pela metade da jogatina. Ou seja, se a série fosse seguir a linha temporal do game, Abby não faria sentido para quem nunca teve contato com a história de “The Last of Us”. Mas os criadores da série guardaram segredo de quem Joel matou para deixar Abby tão transtornada.
Abby faz uma participação pequena nesse episódio, mas o suficiente para sentirmos o ódio e dor transbordando dela. A atriz Kaitlyn Dever consegue entregar o que é preciso nesse contato inicial para esperarmos um encontro violento entre sua personagem e Joel.
As emoções parecem exacerbadas nesse episódio e acredito que nos próximos essa intensidade deva se manter, tornando o clímax entre os protagonistas devastador. E essa saturação emocional está presente em Ellie também, a ponto de detestamos a personagem.
Ellie e Joel estão afastados, e tudo leva a crer que tem a ver com a decisão de Joel em salvar Ellie, que a leva trata-lo com frieza e aspereza, e em alguns momentos, pura birra adolescente. E conversando com minha esposa sobre isso, parece que a ideia é tornar Ellie insuportável para dar um peso ainda maior para o que virá acontecer com ela e Joel.
Bella Ramsey que foi muito bem na primeira temporada, parece meio artificial em sua interpretação, mas conseguiu entregar o ranço que precisamos sentir de Ellie.
Agora, Pedro Pascal está irrepreensível como Joel. Sua interpretação não só honra, novamente o que vemos no game, como acrescenta camadas ao personagem, o que aprofunda ainda mais nossa conexão com Joel, o que não é nada bom. Mas esse “não é nada bom” vou deixar para comentar mais para a frente.
Agora o ponto baixo de “The Last of Us”, indo na contramão da maioria que assistiu o primeiro episódio, é Dina, amiga e interesse amoroso de Ellie. A atriz Kaitlyn Dever exagera em caras e bocas, forçando em mostrar uma Dina escolada, esperta e irreverente. Espero que ao longo da segunda temporada esse exagero na interpretação seja lapidado para algo mais natural, pois a personagem tem uma importância muito grande para Ellie.
Como em toda a primeira temporada, “The Last of Us” mostra cenários e easter eggs muito fiéis ao que vemos no game com a cidade de Jackson, o supermercado onde Ellie enfrenta um espreitador, e até o quadro de melhores do ano, onde temos a foto de um cachorro vencendo no mês de julho de 2013.
E tem a participação mais que especial de Gustavo Santaolalla, compositor da emocionante e imersiva trilha sonora do game e da série.
E agora sim falo de uma mudança em relação ao game. Em um canteiro de obras, uma tubulação velha está cheia de raízes, mas no final do episódio, vemos que entre elas, temos feixes de Cordyceps saindo. E se você leu nossa resenha sobre a primeira temporada ou a assistiu, lembra que essas vinhas e os infectados parecem estar conectados, criando uma espécie de inteligência coletiva. Logo, o ataque da horda a Jackson, que é algo que não acontece no jogo eletrônico, deve acontecer devido ao que está saindo da velha tubulação.
Se eu for dar uma nota de zero a dez para esse episódio, daria um nove, por causa da Dina e das razões que mencionei sobre a personagem. No mais, “The Last of Us” começa como uma tempestade se formando no céu: as nuvens negras se juntando e ficando carregadas até o ponto que desaba sobre nossas cabeças.
Ep. 2.02 – Através do Vale
O episódio começa com Abby (Kaitlyn Dever) sonhando, vendo-a, no dia do massacre provocado por Joel (Pedro Pascal), andando por um corredor escuro, luzes de emergência piscando, em direção a uma sala. Sua versão atual avisa para não entrar no local. Então ela acorda e para quem jogou o game, vai reconhecer o chalé no alto da montanha, perto de Jackson.
A partir desse início, o segundo episódio da segunda temporada de “The Last of Us” entrega tudo que Craig Mazin declarou que seria: maior, mais impactante, mais devastadora.
Como disse na semana passada, as vinhas de Cordyceps dentro dos canos velhos de Jackson, são o catalisador para o ataque a cidade, em uma sequência frenética e tensa. A horda e sua movimentação alucinada e raivosa, me lembrou muito “Guerra Mundial Z”, com infectados se acotovelando, pisando uns sobre os outros, se jogando contra muros e empilhando uns sobre os outros na tentativa de invadir Jacskon.
No jogo eletrônico, esse ataque à cidade não acontece, então tudo que vemos no episódio é inédito. Do surgimento da horda, saindo do chão, como formigas saindo do solo, até o combate final envolvendo o Baiacu, tudo é muito intenso, fazendo meus batimentos acelerarem e não tirar os olhos da tela. Adrenalina e tensão a mil.
O trabalho empregando para essa sequência foi titânico e fenomenal, em uma mistura perfeita de maquiagem, efeitos práticos e CGI. E o retoque final, fica por conta da tempestade de neve, que era real.
A segunda narrativa envolve Abby, que após avistar dois batedores da cidade de Jackson, resolve averiguar a situação e acaba caindo em uma espécie de ninho subterrâneo de infectados, que acordam e começam uma perseguição frenética, igual ao que vemos no game. A sequência os infectados se jogam contra a cerca de arame, fazendo Abby se arrastar por um espaço mínimo, é claustrofóbica e me fez falar “sai daí caralho, sai logo”, sem querer.
A narrativa do episódio sofre algumas modificações em relação ao jogo eletrônico, principalmente envolvendo as patrulhas que estão no meio da nevasca: Joel e Dina (Isabela Merced) e Ellie (Bella Ramsey) e Jesse (Young Mazino). No primeiro caso, faz sentindo a alteração, pois Tommy é quem comanda a resistência da cidade contra a horda de infectados. E essa mudança acaba impactando na dupla de Ellie, que no game faz par com Dina.
Abby é salva por Joel e juntamente com Dina, vão para o chalé, para se salvarem dos infectados e do frio implacável. E depois da sequência frenética e tensa que foi o ataque à cidade de Jackson, achei que mais emoções fortes ficariam para o próximo episódio. Mas não foi isso que aconteceu.
Essa parte da resenha escrevo com lágrimas nos olhos, pois por mais que soubesse o que iria acontecer quando percebi que o episódio seguiria em frente, o que se segue pode ser definido por uma palavra: devastador.
Pedro Pascal, no making off do episódio, disse que jogou o game e sabia o desfecho de Joel, e isso não o impediu de chorar lendo o roteiro e gravando a cena. O ator disse que quando história conseguem nos fazer emocionar todas as vezes que a vemos ou lemos, ela é uma grande história. E o vídeo acima é uma prova da força dessa história (sequência que ainda não apareceu, mas acredito que ainda vá aparecer na série).
Nesse desfecho vemos uma Abby raivosa, em uma intensidade muito além do que vemos no game, e mesmo ela sendo tão violenta em seus atos, é difícil odiá-la, afinal ela foi exposta a uma situação extrema de crueldade: a morte a sangue a frio de seu pai.
Enfim, o melhor episódio da série até agora, mesmo que tenha um desfecho tão triste. E novamente me rendo a “The Last of Us”, pois foi capaz de me fazer chorar como em todas as vezes que vi essa sequência: das duas primeiras vezes jogando e a terceira assistindo ao episiódio.
Ep. 2.03 – O Caminho
Como esperado, o terceiro episódio da segunda temporada de “The Last of Us” dá uma ênfase ao luto dos familiares de Joel. Logo no começo vemos Tommy (Gabriel Luna) limpando o corpo de seu irmão, no que o ator chamou de “luto silencioso”. É uma cena tocante pois mostra toda a dor que Tommy está sentindo naquele momento, além de uma dualidade de sentimentos por parte do personagem: feliz e aliviado por ter rechaçado o ataque da horda de infectados, mas devastado pela perda de Joel.
Depois vemos Ellie (Bella Ramsey) acordando no hospital aos gritos por lembrar da forma brutal como Joel foi morto na sua frente. Aliás os momentos mais emocionantes são, como não podia deixar de ser, envolvendo ela. O primeiro é quando a personagem chega ao quarto de Joel e encontra uma caixa com os pertences dele: o relógio e o revólver. Logo depois, ela encontra o casaco de Joel pendurado e não conseguindo segurar mais toda dor e tristeza, chora agarrada à roupa. Essa sequência está igual ao que vemos nos games, seja nos detalhes, seja nos sentimentos transmitidos.
A segunda cena é uma espécie de despedida de Ellie à Joel, e por mais que ela saiba, nesse momento a ficha caiu: seu “pai” morreu. Em uma referência a primeira temporada e a uma cena no game, Ellie coloca alguns grãos de café no chão em frente à lápide de Joel.
Quando falo que Ellie está se despedindo e Joel, é no sentido de que, à partir do momento que ela deixa para traz seu túmulo, nada mais na vida da personagem será como antes; nada do que Joel queria para ela: paz, felicidade, família, será possível, pois o caminho que Ellie está seguindo, não pode gerar nada positivo.
Essa proposta de explorar mais o luto pela perda de Joel, é interessante, mas ao contrário do que muitas pessoas tem falado, não acho que foi melhor desenvolvido que nos games, sendo que cada mídia, trouxe o suficiente para mostrar que toda a tristeza e raiva que Ellie sente, é mais que suficiente para leva-la a assassinar os carrascos de Joel.
Porém, algumas coisas nesse episódio me incomodaram, como por exemplo a assembleia com o conselho e os cidadãos da cidade para decidir se vão mandar pessoas para caçarem e matarem os assassinos de Joel. Assisti duas vezes o episódio e não vi sentido nenhum para os planos de Ellie, uma vez que, impulsiva e movida por sentimentos tão poderosos e destrutivos, ela não acataria o que a cidade de Jackson deliberasse. Minha opinião é que essa parte serviu para dar uns minutos a mais para o episódio.
Mas não digo que a assembleia é de toda inútil, pois além de revelar quem está do lado de Ellie, inclusive ganhando apoio de quem ela menos esperava, um dos cidadãos ao dar sua opinião do motivo de não enviarem ninguém atrás dos assassinos de Joel, diz, de certa forma, que esse caminho só gera um ciclo interminável de vingança.
Agora o que continua me incomodando é Dina (Isabela Merced). Nesse episódio, sua personagem parece menos “forçada”, porém continua me parecendo artificial demais. Além de que a química entre Dina e Ellie não está rolando. A série vai colocar as duas como um casal em algum momento, mas nesse exato momento, seria apenas porque o roteiro quer.
Porém, algumas coisas se mostraram positivas em Dina: a sua capacidade de planejamento e organização, se mostrando como uma faceta complementar para a impulsiva Ellie. E quando a personagem diz que também amava o Joel, mostra que sua viagem ao lado de Ellie, também é motivada pelo luto.
Agora algo que não fluiu, foi a Ellie raivosa e em busca de sangue. Todas as vezes que o episódio mostrava a personagem falando ou demonstrando isso, me pareceu algo menos arrebatador. O que quero dizer, é que não comprei a jornada de vingança de Ellie. Espero que os próximos episódios corrijam isso, senão, teremos um problema bem grande.
O final do episódio, mostra Ellie e Dina encontrando os corpos de vários serafitas ou “cicatrizes” e elas tendo um vislumbre de Seattle, onde elas acham que a tarefa delas, de matarem Abbiy e seus amigos será simples, só para termos um vislumbre de um batalhão da Frente de Libertação de Washington (WLF). Essa cena me fez lembrar de Rick quando encurralado por Negan e os Salvadores em “The Walking Dead”.
Vi muitas pessoas falando que esse é o episódio mais fraco da temporada. Eu acho que ele está no mesmo nível do primeiro capítulo do segundo ano, pois tirando a expectativa e a ansiedade que tínhamos para o retorno de “The Last of Us”, ambos episódios são uma espécie de introdução para algo maior e que ficou comprovado na prévia do próximo episódio.
Uma curiosidade a respeito desse episódio está na abertura, onde antes víamos duas vinhas crescendo simbolizando Joel e Ellie, e agora somente uma se desenvolve, mostrando que Ellie está sozinha, de novo.
Ep. 2.04 – Dia Um
Seguindo já a estrutura narrativa da série, após um episódio mais cadenciado, somos apresentados a um episódio mais ágil.
O quarto episódio começa com um flashback, mostrando Isaac (Jeffrey Wright) ingressando na WLF. Voltamos aos dias atuais e vemos o líder desse grupo paramilitar torturando um serafita. Aqui temos dois pontos importantes sobre o personagem.
O primeiro aspecto que vale ressaltar é que Isaac se revolta com a FEDRA pela forma como tratam a população: com coerção e violência, só para anos mais tarde, praticar a mesma coisa. Em uma parábola com “A Revolução dos Bichos”, percebemos que os oprimidos, quando no poder, tendem a cometer as mesmas atitudes dos antigos opressores. O segundo ponto é a crueldade com que Isaac trata os serafitas, que me faz pensar se existe algo mais do que somente desmantelar o grupo opositor a WLF.
Essa brutalidade do personagem foi alvo de discussões, com pessoas que tiveram contato com a história do game, alegando que esse aspecto do personagem estava exagerado. Na minha opinião, é mais um acréscimo narrativo dos responsáveis pela série, Craig Mazin e Neil Druckmann, pois quando chegamos ao ápice da história de Isaac no jogo eletrônico, percebemos o ódio e desprezo pelos serafitas.
O quarto episódio apresenta alguns dos momentos mais bonitos e tensos da história de “The Last Of Us”. O momento bonito não poderia ser outro que Ellie (Bella Ramsey) tocando “Take On Me” do A-Ha. A cena em questão, tirando alguns diálogos, é tirado à perfeição do game. Difícil não se emocionar, até porque, na série, consegui perceber enquanto Ellie performava no violão, a saudade que ela sente de Joel.
Mas o quarto episódio, como o segundo, é uma gangorra emocional, pois após a sequência do violão, temos a parte de Ellie e Dina tendo que fugir de uma horda de infectados no metrô. E como no game, o sentimento de desespero, tensão e claustrofobia foram passados à perfeição. A parte em que elas estão fugindo por dentro dos vagões, com os infectados, às centenas, entrando pelas janelas e entradas no teto foi muito tenso.
Após essa sequência, temos a descoberta de Dina sobre a imunidade de Ellie, e todo o conflito que isso gera, a revelação da gravidez de Dina. Com algumas mudanças nessa parte, a essência foi mantida.
Algo que me impressionou nesse episódio é a escala da série. Por Ellie e Dina terem chegado a Seattle, era de se esperar que tudo ficasse maior, mas os responsáveis por ‘The Last of Us” mostraram, mais uma vez, que estão dispostos a fazer o melhor trabalho possível.
Cenários como o do estúdio de TV e o metrô foram construídos em escala real, tornado tudo que acontece nesses locais mais verossímil. Mas mesmo as locações menores foram montadas de forma minuciosa. Ouso dizer, que de todos os episódios da série, esse é o melhor nesse aspecto técnico.
Falando um pouco das atuações, Jeffrey Wright como sempre mostra porque é um ator diferenciado. Mesmo que Isaac apareça muito pouco, já sabemos o que esperar do personagem, graças a intensidade do ator.
Isabela Merced conseguiu trazer uma Dina menos caricata, com uma intepretação mais enxuta. E nesse episódio entendi um pouco porque a Dina da série é tão forçada: ela precisa esconder sua insegurança exacerbando sua good vibes e sua capacidade analítica.
Agora Bella Ramsey começa a me incomodar, pois nos momentos mais dramáticos e até engraçados, consigo comprar a personagem da série, mas, quanto aos seus sentimentos de vingança, a atriz não conseguiu me transmitir a sensação de uma pessoa que quer “olho por olho, dente por dente”. O próximo episódio deve ser determinante para me convencer se finalmente verei o lado Ellie sanguinário, que no game é tão bem representado.
E outra coisa que não convenceu, é Ellie e Dina juntas. Simplesmente não existe química entre elas, e elas só são um casal na série por força do material original. Mesmo o momento intenso entre as duas e a descontração sobre a gravidez de Dina, foi… foi.
Se fosse avaliar o quarto episódio, o colocaria no mesmo nível do segundo. E se tirarmos a morte de Joel, o quarto capítulo é o melhor dessa temporada, tanto em emoção quanto em tensão.
Ep. 2.05 – Sinta o Amor Dela
O quinto episódio de “The Last of Us” é o que possui o roteiro mais fraco dentre todos da segunda temporada, pois no contexto geral ele acrescenta muito pouco à trama. Porém, não é um episódio totalmente perdido, com algumas subtramas bem interessantes sendo desenvolvidas.
A primeira subtrama que vale destacar, e que foi revelada na prévia, é a evolução do Cordyceps na série, e o que muitos chamam de correção em relação ao material original. Estou falando dos esporos que o fungo espalha. No game, esse vetor de infecção está presente desde o começo, o que justifica a pandemia avassaladora que destruiu o mundo em tão pouco tempo.
Ao mostrar os esporos se espalhando pelo ar somente agora, Craig Mazin e Neil Druckmann querem dizer que após quase 30 anos da pandemia mortal, o Cordyceps evoluiu de forma a continuar se espalhando. E essa narrativa não me pareceu uma correção em relação ao game, mas algo próprio da produção da HBO.
Além disso, ao mostrar os esporos, justamente no subsolo do hospital de Seattle, onde os primeiros infectados da cidade, em 2003, foram trancafiados, abre as portas para a aparição da criatura mais medonha e perigosa de “The Last of Us”: o Rei dos Ratos.
Outra narrativa que vale a penas ser mencionada são os Serafitas executando um soldado da WLF, eviscerando-o enquanto é içado, com uma corda no pescoço, explicando como os corpos na estação de televisão terminaram daquele jeito.
Ao mostrar a execução realizada pelos Serafitas, cai por terra qualquer indício ou sugestão que eles são as vítimas na guerra contra a WLF. Seu fervor religioso pela Profetisa os torna tão perigosos quanto o grupo paramilitar liderado por Isaac.
E o último ponto que vale destacar, é finalmente vermos a sede de sangue de Ellie. Ao encontrar Nora e a perseguir pelo hospital, em uma sequência muito parecida com a do game, nossa protagonista libera todo seu ódio e dor contra uma das integrantes do grupo que matou Joel. A luz vermelha do local onde Ellie interroga e espanca Nora, deu um ar ensandecido, quase demoníaco ao rosto da dela, reforçando ainda mais sua fúria extravasada.
Abaixo você tem a sequência do game, para mostrar como a série se mostra fiel nos momentos chaves.
Um detalhe importante: Nora revela enquanto está sendo interrogada, que Joel matou o pai de Abby, a que Ellie responde que sabia. Isso deixa duas coisas bem claro: que nossa protagonista não se importa de Joel merecia ou não morrer, só interessando seguir sua trajetória de vingança, a qualquer preço. E o outro ponto é que em algum momento Joel deve ter contado para Ellie, algo que devemos ver no próximo episódio.
Para não ficar batendo na mesma tecla, preciso dizer rapidamente que o casal Ellie e Dina não possuem química, por mais que nesse episódio tenha cenas das duas brincando e implicando uma com a outra, ou declarações abertas do amor entre elas. Mas novamente: por força do material original, elas são um casal apaixonado.
O próximo episódio deve ser outra pedrada no coração, com um flashback de Joel dando o seu presente de aniversário para Ellie, em uma sequência linda no game, bem como a quebra de confiança entre eles, causando o afastamento dos dois, em um momento doloroso. Haja coração para o que vem aí.
De todos os episódios da segunda temporada, esse é o mais fraco, mesmo com algumas narrativas bastante interessantes.
Ep. 2.06 – O Preço
O sexto episódio é o mais emocionante da segunda temporada e da série. Também é o episódio com maiores mudanças em relação ao material original, mas sem perder a essência da narrativa.
Mostrado em formato de flashbacks, o episódio mostra, Joel tocando “Future Days” do Pearl Jam, mas em um contexto diferente do que é mostrado no game. Na série, ele reforma um violão para dar como presente de aniversário de quinze anos de Ellie. Mas mesmo que essa parte esteja diferente do material original, a emoção é tão forte quanto a que sentimos jogando. A escolha da música é uma forma de Joel dizer o quanto Ellie é importante pare ele.
Um ano se passa e temos uma das cenas mais lindas de todo “The Last of Us”. Com o mesmo impacto emocional de quando Ellie encontra e toca em uma girafa, Joel resolve realizar alguns sonhos que ela tem como presente de aniversário de dezesseis anos. Estou falando de Joel levando Ellie à um museu abandonado, quando ela encontra logo no começo uma réplica em tamanho real de um Tiranossauro. Mas o verdadeiro presente para nossa protagonista é o “passeio pelo espaço” a bordo de uma cápsula espacial. Há muito o que falar sobre essa sequência, mas só vou dizer que a fidelidade em relação ao jogo é absurda e a felicidade e o amor entre Joel e Ellie é transmitida com êxito.
Porém, o tempo passa, e nossa protagonista finalmente sai em patrulha, como presente de aniversário e que marca o ponto de virada na relação entre os dois. Aqui temos uma grande mudança nos eventos que levarão à descoberta da mentira que Joel contou à Ellie. Enquanto no game os acontecimentos são como no vídeo abaixo, no sexto episódio, Ellie descobre a verdade devido à eventos envolvendo Eugene (Joe Pantoliano). Assisti ao episódio duas vezes e prefiro a versão do jogo eletrônico.
O episódio termina com a cena icônica da varanda, onde Ellie e Joel tem a conversa que justifica, de certa forma, a sede de sangue, o ímpeto incontrolável de se vingar da nossa protagonista.
No game, a conversa na varanda é mais poderosa em todo o jogo, pois mostra que Joel, mesmo sabendo que sua decisão pode afastar Ellie para sempre dele, faria tudo novamente, do mesmo jeito. Na série, essa sequência tem alguns diálogos acrescentados e mostra um Joel resiliente em sua decisão, mas temoroso e frágil com as consequências que ela pode acarretar. Mas independentemente das mudanças, é uma cena extremamente emocional e intensa, e que me fez chorar, como todas as vezes que a assisto, seja no jogo eletrônico, e agora na série.
O sexto episódio junta vários flashbacks que são mostrados ao longo da gameplay, como forma de quebrar sua imersão na jornada de vingança de Ellie, para nos trazer outros sentimentos: alegria, tristeza, amor, dor, saudade. Gostei da decisão de condensar todas essas lembranças em um único capítulo, mas quero ver como Craig Mazin e Neil Druckmann farão para nos colocar na gangorra emocional que a história de “The Last of Us” é.
Acredito que já tenha falado isso antes, mas Pedro Pascal dá um show de interpretação ao acrescentar camadas emocionais a Joel, que o tornam mais complexo e aumentam a humanidade que Joel já possuía no game. Suas palavras e feições dão uma autenticidade o que vemos e sentimos.
Bella Ramsey engrandece na presença de Pedro Pascal, e dessa forma, sua Ellie se torna mais verossímil quando está junto de Joel. O grande problema é que após condensar os flashbacks em um único episódio, Ellie está sozinha na série, e a atriz vai precisar se superar para que nossa ligação com sua personagem nãos e quebre.
A nota desse episódio é um grande dez pois traz um pouco do que tornou o game tão aclamado, premiado e grandioso: a gangorra emocional que sua poderosa história possui.
Ep. 2.07 – Convergência
Chegamos ao último da segunda temporada com um episódio morno, porém com um final promissor.
No começo do episódio temos Ellie retornando do hospital e conversando com Dina sobre o que aconteceu. Algumas coisas faladas, parecem afetar o relacionamento das duas, como o fato de Ellie dizer que achou que seria mais difícil espancar Nora, mas que não, que no fim foi fácil. Porém, o ponto que abala Dina é quando nossa protagonista revela que sabia que Joel tinha matado o médico que iria produzir a cura, deixando uma espécie de desconforto entre elas.
Nessa sequência, ocorre uma espécie de incoerência, pois Dina pede que Ellie tire a camisa para limpá-la, mostrando vários hematomas nas costas de Ellie. No game, esses machucados fazem sentido, pois a perseguição por Nora pelo hospital acarreta em vários confrontos. Mas na série, tirando o encontro com os espreitadores, não há mais nenhum entrevero envolvendo-a.
Após essa parte, temos Jesse (Young Mazino) e Ellie indo atrás de Tommy (Gabriel Luna), onde os dois se confrontam pelas formas diferentes deles agirem e em relação à Dina. Achei interessante esse aprofundamento do personagem e serviu para tentar criar ou melhorar nossa conexão com Jesse, e bem ao estilo” Game of Thrones”, dar um destino trágico a ele.
Após uma discussão acalorada, que no jogo eletrônico é mais rápida e menos intensa, Ellie segue de barco para o aquário de Seattle, onde uma onda gigante a joga no mar e a faz parar na ilha dos Serafitas.
Se achei incoerente as costas machucadas de Ellie, essa sequência para mim foi somente para esticar o episódio. Nem a declaração de Craig Mazin e Neil Druckmann de que a ideia era mostrar para a Ellie que os “cicatrizes” eram tão ruins quanto os soldados da WLF, me convenceu.
O desfecho do episódio segue quase que à risca o que acontece no game, com Ellie confrontando Owen (Spencer Lord) e Mel (Ariela Barer). A maior diferença que ocorre, é que no jogo eletrônico a morte dos amigos de Abby são mais intencionais, enquanto que na série pareceu mais acidental. E aqui criou-se uma polêmica, com muitas pessoas dizendo que quiseram atenuar a sede de vingança de Ellie, tentando não a tornar uma vilã.
Assisti duas vezes o episódio e a cena do game abaixo, e houve sim uma diminuição na violência que Ellie é capaz de proporcionar em busca de sua vingança.
O problema em relação à sede de vingança de Ellie na série não é somente o roteiro, mas também da atriz Bella Ramsey.
O desfecho do episódio é idêntico ao do game, onde vemos Abby chegando no teatro, matando Jesse e apontando uma arma para a cabeça de Tommy. Abby reconhece Ellie e diz que ela desperdiçou a oportunidade que ela deu de a deixar vida. Ouve-se um tiro, a tela fica escura e passamos a ver Abby no estádio que serve de base para a WLF, e subindo a informação”: “Seattle: Dia Um”.
O último episódio da segunda temporada é bem morno, mas cria o gancho para o que virá para o terceiro ano, já confirmado pelos criadores da série: vamos ver o que houve com Abby durante os três dias que Ellie passou na cidade. Essa perspectiva, apesar de perder um pouco algo que o game fez de forma incrível, será interessante de ver.
Ficha Técnica:
Título Original: The Last of Us
Título no Brasil: The Last of Us
Gênero: Drama Pós-Apocalíptico
Temporada: 2ª
Episódios: 7
Criadores: Craig Mazin, Neil Druckmann
Produtores: Craig Mazin, Neil Druckmann, Carolyn Strauss, Rose Lam, Evan Wells, Asad Qizilbash, Carter Swan
Diretores: Craig Mazin, Mark Mylod, Peter Hoar, Kate Herron, Stephen Williams, Neil Druckmann, Nina Lopez-Corrado
Roteiro: Craig Mazin, Neil Druckmann, Halley Gross
Elenco: Pedro Pascal, Bella Ramsey, Kaitlyn Dever, Isabela Merced, Jeffrey Wright, Danny Ramirez, Ariela Barer, Tati Gabrielle, Spencer Lord, Catherine O’Hara, Nico Parker, John Hannah, Merle Dandridge, Christopher Heyerdahl, Brendan Fletcher, Anna Torv, Gabriel Luna, Christine Hakim, Nick Offerman, Murray Bartlett, Lamar Johnson, Melanie Lynskey, Keivonn Montreal Woodard, Jeffrey Pierce, John Getz, Rutina Wesley, Graham Greene, Elaine Miles, Storm Reid, Scott Shepherd, Troy Baker, Ashley Johnson
Companhias Produtoras: The Mighty Mint, Word Games, PlayStation Productions, Naughty Dog, Sony Pictures Television
Transmissão: HBO, Max
