SINOPSE: O êxodo da Corporação Umbrella, a maior empresa farmacêutica do mundo, transformou Raccoon City em uma cidade fantasma e cheia de perigos ainda a serem descobertos. Mas quando o mal é liberado, a população local é ameaçada e apenas um grupo de sobreviventes sobraram para descobrir o mal que se esconde na cidade e na antiga Umbrella para sobreviver à noite.
“Resident Evil” (ou RE como também é conhecida) é uma das franquias mais famosas e bem-sucedidas da indústria dos games e por isso foi um das primeiras a serem adaptadas para o cinema. E a cada novo filme estrelado por Milla Jovovich os fãs foram ficando mais e mais decepcionados pois a história apresentava cada vez menos nexo com o material original, com alguns personagens icônicos fazendo participações especiais e algumas poucas referências aos jogos eletrônicos.
Após o péssimo “RE 6: O Capítulo Final”, novas produções para adaptar o famoso game de survivor horror foram anunciadas, sendo que a primeira decisão a respeito delas, e a mais acertada, foi a de não ter nenhuma relação com a franquia cinematográfica anterior. Então com a ideia de ser o mais fiel possível aos games, chegou aos cinemas ano passado “RE: Bem-vindo a Raccoon City”.
Antes de continuar, é preciso dizer que não sou um conhecedor de “RE”. Tanto que para poder analisar esse filme precisei assistir algumas gameplays de “RE 2 Remake”, lançado em 2019.
Dito isso, afirmo que ao contrário do que vi na franquia cinematográfica estrelada por Milla Jovovich, “RE: Bem-vindo a Raccoon City” é cheio de referências, situações e locais existentes no game.
A cena inicial do filme, onde temos o caminhoneiro atropelando uma pessoa já é o cartão de visita de uma adaptação mais fiel ao game. Locais icônicos como a delegacia e a mansão Spencer também estão presentes e com o visual muito parecido com o que vi em “RE 2 Remake”. Aliás a recepção da delegacia está idêntica ao do jogo.
As referências não param por aí: roupas como a famosa jaqueta vermelha de Claire e o colete de Leon parecem ter saído direto do game. Os momentos icônicos do jogo também são recriados com fidelidade tal como o encontro com o zumbi na mansão Spencer.
Os fãs da franquia de jogos eletrônicos acharão diversos easter eggs. E nesse ponto “RE: Bem-vindo a Raccoon City” é perfeito. Porém, “o filme faz algumas mudanças narrativas em relação ao game, algumas muito boas, outras nem tanto.
O início do filme mostra Claire (Kaya Scodelario) chegando a uma Raccoon City deteriorada e abandonada, com boa parte da população acometida por algum tipo de doença que faz perderem os cabelos, os olhos injetados de sangue e a agirem de forma estranha.
Apesar desse início ser diferente do que vi em “RE 2 Remake”, esse primeiro terço do filme é bem conduzido e cria no espectador o que propõe: a expectativa necessária para o que está por vir. Por isso, o começo e “RE: Bem-vindo a Raccoon City” é uma das melhores coisas do longa-metragem com a cena mais legal do filme envolvendo uma mulher doente escrevendo um recado com sangue para nossa heroína.
Outro ponto positivo tem a ver com uma personagem existente no game e adaptada de forma espetacular para o filme. Estou falando de Lisa Trevor. Presente nos primeiros jogos de “RE”, ainda para PS1, sua aparição e sua história são marcentes.
Em “RE: Bem-vindo a Raccoon City”, Lisa Trevor (Marina Mazepa ) também causa um impacto surpreendente devido ao seu visual bizarro e assustador. Apesar da sua participação ser rápida, ela tem uma importância grande para Claire, tanto na época em que nossa mocinha vivia no orfanato quanto nos dias atuais de decadência da cidade.
Não acredito que isso vá acontecer, mas gostaria muito de ver mais de Lisa Trevor em filmes futuros ou até em uma história própria narrando suas origens, algo não mostrado em “RE: Bem-vindo a Raccoon City”.
Porém, apesar de “RE: Bem-vindo a Raccoon City” ser recheado de referências adaptadas com fidelidade, são justamente o excesso delas que atrapalham o andamento da narrativa. Pelo que conheço, esse filme adapta os primeiros jogos, o que faz sentido, pois todos eles acontecem ao mesmo tempo.
Um exemplo disso é o encontro dos sobreviventes com os lickers, um dos momentos mais icônicos do game e que no filme é algo rápido e sem nenhuma tensão e que só salvo pela presença de Lisa Trevor. William Birkin (Neal McDonough) é outra figura importante desenvolvida de forma ridícula. O personagem é mal trabalhado e sua história que é muito interessante no game, no filme é desprezada.
E já que estamos falando de lickers e de William Birkin, o que é esse CGI bosta que usaram para dar vida a dois dos monstros mais incríveis da franquia de games? Nesse ponto até agradeço a ausência do Mister-X, o perseguidor invulnerável do jogo.
O excesso de referências em “RE: Bem-vindo a Raccoon City” afeta também personagens importantes, sendo o maior exemplo Leon Kennedy (Avan Jogia). O maior protagonista da franquia eletrônica, aqui é subutilizado. Fica evidente que Claire é a heroína do filme, mas transformar Leon em um novato atrapalhado foi demais.
Mais difícil que adaptar hqs, fazer filmes baseados em jogos eletrônicos é uma verdadeiro desafio para os estúdios pois o público gamer é o mais exigente e chato de agradar.
“RE: Bem-vindo a Raccoon City” preferiu aquecer o coração dos fãs da franquia eletrônica e trazer uma história com o máximo de referências possíveis (até o puzzle do piano aparece). Nesse ponto, eu admito que os responsáveis pelo filme acertaram. Mas tirando o começo do longa-metragem, a narrativa é um tremendo fã-service que nem sempre funciona.
Existem filmes melhores de zumbis ou com temáticas parecidas, mas pelo fã-service bem executado na maior parte do longa-metragem, vale a pena assistir “Resident Evil: Bem-vindo a Raccoon City”.
P.S.: quero um filme sólo com Lisa Trevor.
Ficha Técnica:
Título Original: Resident Evil: Welcome to Raccoon City
Título no Brasil: Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City
Gênero: Ação, Terror
Duração: 107 minutos
Diretor: Johannes Roberts
Produção: James Harris, Hartley Gorenstein, Robert Kulzer
Roteiro: Johannes Roberts
Elenco: Kaya Scodelario, Hannah John-Kamen, Robbie Amell, Tom Hopper, Avan Jogia, Donal Logue, Neal McDonough, Lily Gao, Marina Mazepa, Janet Porter
Companhias Produtoras: Screen Gems, Constantin Film, Davis Raccoon Films, The Fyzz Facility, The Tea Shop and Film Company
Transmissão: Sony Pictures Releasing
