SINOPSE: O arquivista Dan Turner (Mamoudou Athie) aceita um trabalho para restaurar fitas de vídeo danificadas. Enquanto reconstrói o documentário da diretora Melody Pendras (Dina Shihabi), ele acaba se envolvendo na investigação que ela iniciou a respeito de uma seita violenta no edifício Vissar. Dan fica obcecado em descobrir o que aconteceu com Melody há 25 anos atrás e acredita que possa salvá-la do triste fim.

 

Os podcasts tem sido fonte de inspiração para diversos filmes e séries nos últimos anos sendo “Arquivo 81”, um exemplo disso. O podcast homônimo de terror criado por Dan Powell e Marc Sollinger começou a ser exibido em 2016, com sua terceira e mais recente temporada sendo divulgada em 2018. Em 2019, houve uma minissérie de três episódios intitulada “Left of the Dial”.

Enquanto no podcast são fitas de áudio, conhecidas também como fitas cassete, na série acompanhamos Dan Turner um restaurador de fitas de vídeo. Essa mudança é muito legal pois dá a “Arquivo 81” um estilo found footage, que é um dos subgêneros mais amados pelos fãs de terror.

Se você ainda não sabe o que é, found footage é um estilo de filmagem que cria a ilusão de estarmos assistindo a um material encontrado por acaso e que se trata de gravações de algo real. “A Bruxa de Blair”, continua sendo o melhor exemplo para entendermos esse formato e o filme que fez esse subgênero do terror explodir.

“Arquivo 81” é contada basicamente em duas linhas temporais: o presente, onde vemos Dan restaurando as fitas de vídeo e o passado, por volta de 1996, onde acompanhamos as gravações de Melody Pendras no edifício Visser tentando saber mais sobre sua mãe biológica.

As duas narrativas se conectam muito bem, com a do passado complementando a história do presente e vice-versa. Aliás essas duas linhas temporais estão interligadas mais que somente por fins narrativos.

Algo muito bem trabalhada em “Arquivo 81” são as pistas e conexões mostradas ao longo da história. Por isso, preste bastante atenção, pois nada foi jogado aleatoriamente: dos vídeos que mostram propagandas, documentários e notícias do passado à abertura da série. Destaco esse ponto na série pois muitas produções nas mais variadas mídias se utilizam desse recurso narrativo, mas poucas conseguem amarrar todas elas ao longo da trama.

Ao longo de “Arquivo 81” vemos a possibilidade de Dan estar tendo um surto psicológico, explicando as visões e alucinações, tanto pelo isolamento do local onde se encontra para trabalhar como pelo seu histórico recente. Porém, esse narrativa não me convenceu muito e logo percebi que por mais que os roteiristas e produtores tentassem causar essa dúvida, algo real e estranho aconteceu no edifício Visser.

Porém, se o clichê “isso não passa de coisa da sua cabeça” não colou, “Arquivo 81” trabalha muito bem a dubiedade se o responsável pelos acontecimentos estranhos realmente existe ou não passa de delírios de uma seita.

Nesse ponto somos apresentados a Kaelego ou o Senhor do Outro Mundo, uma criatura adorada pelos homens antigos tanto como anjo e demônio. E aqui entramos em terrenos lovecraftianos com seitas em busca de invocar seres com poderes além da compreensão humana que só pode levar as pessoas a loucura, a ruína e a morte.

Aqui faço um parênteses para dizer que “Arquivo 81” além de ter tons de uma história found footage e com tons lovecraftianos, também faz referência ao J-Horror, mais precisamente “O Chamado” em algumas cenas muito legais.

Falando um pouco das atuações, preciso dizer que são eficientes e entregam o que precisa ser entregue para quem está assistindo. Mas a personagem Melody Pendras é a que mais se destaca, pois realmente quis saber sobre sua história e qual seria a resolução dela. Acredito que tanto a interpretação da atriz Dina Shinabi quanto o cuidado um pouco maior dos roteiristas com a personagem contribuíram para Melody se destacar.

O final de “Arquivo 81” foi um pouco frustrante pois achei que depois de tanta investigação, tantas revelações, fosse acontecer mais coisas. Achei o desfecho um tanto apressado e de certa forma preguiçoso. Mas fica evidente que a cena final onde vemos Dan olhando através de uma janela de hospital e cortando para os créditos, é o gancho para uma segunda temporada, que pelo visto já ganhou sinal verde da Netflix.

“Arquivo 81” é uma produção que trabalha uma série de clichês, mas de forma tão segura que torna a série em algo instigante de assistir. A série é uma bela mistura de vários subgêneros do terror que vão do found footage ao Cosmicismo de Lovecraft. Que a segunda temporada mantenha isso.

Dito tudo isso, meu veredicto só pode ser um: vale a pena assistir “Arquivo 81”!

Ficha Técnica:

Título Original: Archive 81

Título no Brasil: Arquivo 81

Gênero: Terror

Temporadas:

Episódios: 8

Criadora: Rebecca Sonnenshine

Produtores: Rebecca Sonnenshine, Rebecca Thomas, James Wan, Michael Clear, Paul Harris Boardman, Antoine Douaihy

Diretores: Rebecca Thomas, Justin Benson, Aaron Moorhead, Haifaa Al Mansour

Elenco:                 Mamoudou Athie, Dina Shihabi, Evan Jonigkeit, Julia Chan, Ariana Neal, Matt McGorry, Martin Donovan, Charlie Hudson III, Kate Eastman, Eden Marryshow, Georgina Haig, Kristin Griffith

Companhias Produtoras: Atomic Monster Productions, Sonnenshine Productions

Transmissão: Netflix

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Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

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