O Sangue de Zeus (1ª Temporada)
SINOPSE: Heron, um jovem plebeu que vive na Grécia Antiga, descobre ser o filho ilegítimo do todo poderoso Zeus. Agora, Heron se vê encarregado de uma importante missão: salvar o céu e a terra de um exército demoníaco. Para isso, ele precisa enfrentar uma deusa vingativa que deseja matá-lo, enquanto uma nova guerra entre os deuses do Olimpo e os Gigantes está para começar.
Não é de hoje que a Netflix vem investindo cada vez mais em produção de animes. As razões para isso são simples: a primeira é que essas animações costumam cair muito rápido no gosto do espectadores, e o segundo motivo é que o investimento é bem menor que uma série live-action, não causando tanto prejuízo caso a primeira razão não aconteça. E dentre essas animações, uma parceria de sucesso surgiu entre a Netflix e a Powerhouse Animation Studios, que produziu “Castlevania”.
“O Sangue de Zeus” tem todas as características que vemos em “Castlevania”: o traço dos desenhos, uma história simples e muita violência (que deu a animação uma classificação de 18 anos).
A história de “O Sangue de Zeus” segue os pilares de outras produções baseadas na mitologia grega: Zeus, que parece ter mais que 1% de safadeza, se apaixona por uma mortal. Desse romance, nasce Heron, um bastardo e semideus (mais um entre tantos). A partir daí, temos irmão lutando contra irmão (já que Serafim é irmão de Heron) e Hera, a cornuda do Olimpo, furiosa e capaz de tudo para se vingar de seu marido, o Rei dos Deuses.
Na verdade, a minha impressão é que “O sangue de Zeus” é uma releitura de “A Fúria de Titãs”, tanto o filme original de 1981, quanto os dois estrelados por Sam Worthington, Liam Neeson e Ralph Fiennes. A história tem um tom lúdico, apesar de mais violento, do longa-metragem da década de 1980, por causa das criaturas apresentadas e até mesmo por causa de Serafim, que lembra bastante Calibos (Neil McCarthy). O anime tem inclusive uma referência direta que é coruja mecânica de Hesfestos. Já a rixa, inveja e batalha entre os deuses do Olimpo lembram bastante as produções cinematográficas de 2010 e 2012, mas com consequências que vão além da simples manipulação e planos maquiavélicos: os olimpianos saem na porrada literalmente, principalmente Hera e Zeus.
Aliás, essa relação conturbada entre o Casal Real do Olimpo é uma novidade quando comparamos “O Sangue de Zeus” com outras produções baseadas na mitologia grega. Hera não é uma deusa que se contenta apenas em criar planos e subterfúgios para matar os rebentos bastardos de seu marido, demonstrando toda sua frustração e fúria contra as traições constantes de Zeus, sendo Heron a gota d’água. Hera sendo uma criatura capaz de rivalizar com Zeus, quer destruir tudo o que ele preza e depois tirar sua vida com as próprias mãos, em uma sequência de demonstração de habilidade de combate e de poder muito foda. Resumindo tudo o que falei até agora, cito uma fala de Poseidon na animação: “Zeus, só um tolo enfureceria Hera.”
Então o que começa como uma história de um herói destinado a impedir a expansão de um império de demônios, se torna uma batalha de proporções titânicas entre os deuses do Olimpo. E em sua fúria e frustração, Hera convoca para a guerra, criaturas imortais de poderes incalculáveis, nascidas do sangue do último Titã e que nutrem um ódio pelo olimpianos: os Gigantes. E de todas as coisas apresentadas em “O Sangue de Zeus”, os Gigantes são as melhores que vi em toda a animação. Preciso dizer que se tem algo que Powerhouse Animation Studios faz muito bem são os monstros e seres para seus animes, pois a aparência desses seres é estranha, assustadora em alguns casos, e muito legais!
“O Sangue de Zeus” apresenta alguns problemas de continuidade, como por exemplo a espada feita por Zeus para Heron. A arma em questão é capaz de cortar qualquer coisa, até mesmo deuses, e quando apresentada parece ter uma importância gigante para a história. Mas daí, sem mais nem menos, ela é esquecida presa em uma pedra. Logo depois, a espada é encontrada por Serafim pois ela será um elemento fundamental nos planos de Hera, para logo depois ser perdida em um combate por Heron para nunca mais ser mencionada no anime. Assim, essas e outras falhas no roteiro só te incomodarão se você não tiver a expectativa certa sobre a animação: a de simplesmente nos divertir.
Se “O Sangue de Zeus” seguir o sucesso de “Castlevania”, uma segunda temporada deve ser anunciada pela Netflix, até porque a trama escrita por Charley Parlapanides e Vlas Parlapanides deixa diversos caminhos a serem explorados: a recém-descoberta dos poderes de Heron, o destino de Hera após sua batalha contra Zeus e o surgimento de Hades, que é mencionado em diversos episódios, mas que só mostra as caras em uma cena pós-crédito pedindo que Serafim se ajoelhe pois tem planos para ele.
Vale dizer antes de encerrar essa resenha que essa parceria entre Netflix e Powerhouse Animation Studios vai render outros animes além de “Castlevania” e “O sangue de Zeus”. Já foi anunciado que uma animação do game “Diablo” está sendo produzida pela líder mundial de streaming e o estúdio de animação.
“O Sangue de Zeus” é uma homenagem e uma espécie de expansão das histórias contadas nos três filmes com o título “A Fúria de Titãs”, sendo que cumpre com méritos seu único objetivo: o de divertir os espectadores.
Vale a pena assistir “O Sangue de Zeus”!
Ficha Técnica:
Título Original: Blood of Zeus
Título no Brasil: O Sangue de Zeus
Gênero: Fantasia, Aventura, Ação
Temporada: 1ª
Episódios: 8
Criador: Charley Parlapanides, Vlas Parlapanides
Produtores: Charley Parlapanides, Vlas Parlapanides, Brad Graeber
Elenco: Derek Phillips, Jason O’Mara, Claudia Christian, Elias Toufexis, Mamie Gummer, Chris Diamantopoulos, Jessica Henwick, Melina Kanakaredes, Matthew Mercer, Adetokumboh M’Cormack, Adam Croasdell
Companhias Produtoras: Powerhouse Animation Studios, Dongwoo A&E
Transmissão: Netflix
