Uma das coisas que mais gosto no gênero de terror nos cinemas é a capacidade de se reinventar ou trazer um filme que traga uma experiência inovadora e perturbadora. E nessa última década, assisti a longas-metragens que fogem um pouco do senso comum: slashers, possessões, fantamas, found footage, etc. É por causa dessa experiência diferente a que somos apresentados que resolvi chamar de filmes de terror alternativos.

     O Especial de Terror do Cinemaníacos selecionou quatro filmes que tem como proposta assustar e perturbar, mas fazem isso de uma forma diferente.

     Porém antes de começar essa lista é bom dizer que os mais puristas, que acham que filmes de terror são somente aqueles que tem um mascarado com um facão matando adolescentes promíscuas no meio do mato ou que tem um susto atrás do outro, muito provavelmente não gostaram ou não irão gostar dessas produções cinematográficas.

A Bruxa (2016)

SINOPSE: Nova Inglaterra, década de 1630. O casal William e Katherine leva uma vida cristã com suas cinco crianças em uma comunidade extremamente religiosa, até serem expulsos do local por sua fé diferente daquela permitida pelas autoridades. A família passa a morar num local isolado, à beira do bosque, sofrendo com a escassez de comida. Um dia, o bebê recém-nascido desaparece. Teria sido devorado por um lobo? Sequestrado por uma bruxa? Enquanto buscam respostas à pergunta, cada membro da família enfrenta seus piores medos e seu lado mais condenável.

     De todos os filmes dessa lista, “A Bruxa” é o mais difícil para tentar explicá-lo. Produzido pela empresa A24 e dirigido por Robert Eggers, o longa-metragem possui uma espécie de opressão constante e incômoda.

     O ambiente isolado e ermo, o fanatismo religioso da família, os personagens extremamente falhos; deixam o ar do filme sempre pesado. A própria bruxa que atormenta a família, não é o vetor principal do terror psicológico presente no filme. Mas não se engane, as suas aparições pontuais e certeiras durante o longa-metragem são assustadoras e extremamente perturbadoras, como sua materialização dentro do curral onde as crianças estão presas ou a sua receita de creme contra rugas a base de Samuel.

     “A Bruxa” colocou em evidência a produtora A24 (que sempre aposta nesse tipo de filme de terror alternativo) e Robert Eggers, que hoje em dia é considerado um dos grandes diretores e roteiristas de terror da nova geração. E claro que não posso deixar de falar de Anya Taylor-Joy, que foi apresentada ao mundo nesse filme, e que considero a atriz mais talentosa dessa nova safra.

     Uma curiosidade: o orçamento de US$ 3 milhões de “A Bruxa” foi bancado por um brasileiro que leu o roteiro e gostou muito da proposta do filme. O resultado: uma enxurrada de prêmios e críticas positivas, além de US$ 40 milhões para os cofres da A24.

Hereditário (2018)

SINOPSE: Após a morte da reclusa avó, a família Graham começa a desvendar algumas coisas. Mesmo após a partida da matriarca, ela permanece como se fosse um sombra sobre a família, especialmente sobre a solitária neta adolescente, Charlie, por quem ela sempre manteve uma fascinação não usual. Com um crescente terror tomando conta da casa, a família explora lugares mais escuros para escapar do infeliz destino que herdaram.

     De todos os filmes desse subgênero que chamo de terror alternativo, “Hereditário” é o mais bem avaliado e um dos mais premiados, sendo considerado, quase por unanimidade, como o melhor filme de terror da década.

     Dos filmes de terror que já assisti (e olha que são muuuuuuuitos), “Hereditário” é um dos que tem a maior capacidade de te deixar tenso. Desde os primeiros minutos onde conhecemos a pequena Charlie (Milly Shapiro) com seu rosto deformado e aquele tique de fazer barulho com a boca, passando pela matriarca da família Graham, Annie (Toni Collette) surtando, chegando ao desfecho envolvendo um bicho andando pelas paredes e batendo a cabeça contra uma portinhola; tudo nesse filme é pensado para te deixar sentado na ponta da cadeira e sem piscar.

        O responsável por esse filme do Capiroto? Ari Aster, que juntamente com Robert Eggers, são dois dos três diretores e roteiristas de terror mais elogiados da atualidade.

     Mas além de um roteiro e uma trilha sonora totalmente pensada em deixar o espectador tenso durante toda a exibição do filme, “Hereditário” tem outros dois destaques, que são as atrizes Milly Shapiro e Toni Collette, que dão um show de interpretação e que causou a ira de muitos quando a Academia não as indicou, principalmente Toni Collette, ao Oscar (enfim o preconceito com os filmes de terror).

     Lembra que disse que “’Hereditário’” é considerado, quase por unanimidade, como o melhor filme de terror da década”? Então, o longa-metragem na minha cabeça tinha tudo para ser o melhor filme de 2018 antes de assisti-lo (essa expectativa veio do material promocional). E se não fosse aquele finalzinho, logo depois que Peter (Alex Wolff) cai da janela do segundo andar de sua casa, cagou tudo. Porém todo o restante, antes desse finalzinho, é sensacional.

     “Hereditário” é sucesso de crítica e bilheteria, pois faturou US$ 79 milhões para um orçamento de US$ 10 milhões.

Midsommar (2019)

Midsommar (2019)

SINOPSE: Após vivenciar uma tragédia pessoal, Dani vai com o namorado Christian e um grupo de amigos até a Suécia para participar de um festival local de verão. Mas, ao invés das férias tranquilas com a qual todos sonhavam, o grupo se depara com rituais bizarros de uma adoração pagã.

     Da dupla de sucesso, A24 e Ari Aster, “Midsommar” (me recuso a escrever o subtítulo de merda que colocaram aqui no Brasil), pode ser definido em uma palavra: desconforto. Durante seus 147 minutos de duração, senti uma mescla de sentimentos díspares: a de que o filme continuasse porque é muito bom, mas que acabasse logo pois fui ficando cada vez menos à vontade na poltrona do cinema. Mas não entenda errado: esse desconforto é o grande fator de sucesso do longa-metragem.

     “Midsommar” custou US$ 8 milhões e arrecadou US$ 40 milhões e sedimentou a carreira de Ali Aster.

Nós (2019)

SINOPSE: Adelaide (Lupita Nyong’o) e Gabe (Winston Duke) decidem levar a família para passar um fim de semana na praia e descansar em uma casa de veraneio. Eles viajam com os filhos e começam a aproveitar o ensolarado local, mas a chegada de um grupo misterioso muda tudo e a família se torna refém de seus próprios duplos.

     Se você está lendo essa lista até agora, vai lembrar que falei de uma tríade de diretores altamente aclamados nessa década. Jordan Peele como uma tsunami, arrastou tudo e todos com “Corra!”. “Nós” é seu segundo filme após essa ascensão meteórica, e o considero muito melhor que “Corra!”, com seus duplos completamente insanos e imprevisíveis e por brincar com a lenda urbana estadunidense sobre os milhares de quilômetros de túneis pelo país, cujo objetivo ninguém sabe. Destaque para a atuação ESPETACULAR de Lupita Nyong’o que merecia ter ganho o Oscar de Melhor Atriz em 2019.

     Além de diversas críticas positivas, “Nós”, que custou US$ 20 milhões, faturou US$ 255 milhões na bilheteria.

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Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

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