SINOPSE: Baseado no romance best-seller da autora Freida McFadden, Millie (Sydney Sweeney), uma jovem em dificuldades, vê na chance de trabalhar como empregada doméstica para Nina (Amanda Seyfried) e Andrew (Brandon Sklenar) a oportunidade de recomeçar. Mas logo descobre que os segredos daquela família são muito mais perigosos do que os seus.
Sara Cohen, mais conhecida pelo pseudônimo Freida McFadden, é uma escritora estadunidense e médica especialista em lesões no cérebro. Freida McFadden é um pseudônimo para diferenciar do seu trabalho como médica.
A escritora tem cerca de 32 obras, muitos autopublicados por quase uma década, até que “A Empregada” se tornou um best-seller mundial, com mais de 2 milhões de cópias, ficando por várias semanas na lista dos mais vendidos da Amazon e The New York Times. O romance rendeu à autora os prêmios de Melhor Romance Original pelo International Thriller Writers Awards (2023) e o Melhor Livro de Mistério e Suspense pelo Goodreads Choice Awards (2023).
Com tamanho sucesso, “A Empregada” chamou a atenção de Hollywood, que tratou de produzir uma adaptação cinematográfica, que estreou em 2025 (no Brasil, o filme chegou em janeiro de 2026).
Assisti “A Empregada” sem ler o livro homônimo; logo, minha resenha vai se basear exclusivamente no filme, com algum ou outro achismo da minha parte à respeito da obra literária.
A Empregada” começa mostrando a aparente situação atual do trio de protagonistas: Millie vivendo no seu carro, procurando emprego e moradia fixa para manter sua liberdade condicional. Nina é típica esposa rica que tem uma vida abastada e parece completamente alienada ao mundo. E Andrew é o homem perfeito: bonito, rico, amoroso e paciente. O caminho dos três se cruzam, quando Millie é contratada para ser empregada e passa a morar na mansão na mansão Winchester (nenhum parentesco com Sam e Dean).
“A Empregada” lembra um pouco “Cinderela”, com uma “mocinha”, uma “madrasta má” e um “príncipe encantado”. Porém, à medida que os dias vão se passando na casa dos Winchester e conhecemos mais sobre esses três personagens, percebemos que algo não está certo, que existem segredos por baixo da aparente normalidade e assim os papéis de mocinha, madrasta má e príncipe vão sendo descontruídos.
De certa forma, “A Empregada” possui um roteiro padrão a de outros thrillers, mas o que diferencia esse filme dos demais é o seu ritmo narrativo e a forma como a trama te conduz.
O ritmo de “A Empregada” é acelerado, usando e abusando de cortes secos, com as cenas acabando de forma abrupta e outras já entrando na sequência sem nenhum preâmbulo. Essa edição confere ao filme um ritmo frenético e dinâmico, exigindo que o espectador não se distraia enquanto o assiste. Na maioria das vezes essa edição foi bem-vinda, mas em alguns momentos esses cortes abruptos interromperam algumas sequências, me deixando com a sensação de que foram interrompidas no meio do seu curso de ação.
Outro ponto que diferencia “A Empregada” de outros thrillers foi a forma como a narrativa conduz quem está assistindo em uma direção, criando convicções a respeito do mistério que se desenrola, só para desconstruí-los; criando uma reviravolta inesperada e condizente com o que foi mostrado até aquele momento.
Nessa parte vou tentar não dar spoilers, pois a reviravolta apresentada é o ponto mais positivo de “A Empregada”. À medida que fui assistindo o filme fui criando teorias à respeito de Millie, Andrew e Nina; e quando uma ida ao show “parece” não sair como o planejado, estava certo de quem estava movendo as cordas da história. Foi então, que o longa-metragem me deu uma bela rasteira e revela o que realmente estava acontecendo Mansão Winchester desde a chegada de Millie.
O plot twist apresentado mudou completamente a minha percepção de como a história iria terminar. Essa imprevisibilidade e reviravoltas inesperadas são características marcantes nos livros de Freida McFadden e devo dizer que o filme as traduziu perfeitamente. O rumo que a trama de “A Empregada” tomou realmente me enganou, e como fiquei feliz pela forma como fui ludibriado.
Vamos comentar rapidamente de alguns personagens que na minha opinião tiveram pouca ou nenhuma relevância para a trama. Começando por Evelyn (Elizabeth Perkins), mãe de Andrew, que aparece muito pouco no filme, mas acredito que no livro deva ter uma presença e importância maior. Cece (Indiana Elle), filha de Nina, também é uma personagem que parece ter mais espaço no romance de Freida McFadden, pois o longa-metragem parece tentar desenvolver uma amizade entre ela e Millie, mas acaba não indo para a frente.
Porém, nenhum outro personagem parece mais sentido em “A Empregada” que Enzo (Michele Morrone). Acredito realmente que o jardineiro da Mansão Winchester tenha uma participação muito maior no livro; porém no filme, parece mais um figurante. Falo isso, porque as amigas ricas de Nina, por exemplo, possuem mais tempo de tela que Enzo, que faz parte do que está acontecendo na casa, mas por ser tão escanteado, acaba que sua presença perde importância. Do jeito que Enzo entra na narrativa, ela sai e não fez falta nenhuma.
Agora o trio escalado para viver os protagonistas de “A Empregada” estão muito bem. Sidney Sweene foi a escolhida para viver Millie, tanto por sua semelhança física com a personagem no livro quanto pelo seu status atual, sendo uma das mais requisitadas em Hollywood. E engana-se quem acha que essa procura dos estúdios e o sucesso junto ao público seja somente por sua beleza, pois a atriz já demonstrou que é talentosa na arte da atuação. Como exemplo posso falar sobre sua intepretação em “Imaculada”.
Brandon Sklenar é a personificação de Andrew: bonito, charmoso, bem-sucedido e atraente. O ator consegue transmitir bem a dualidade do personagem, de aparência perfeita, mas escondendo algo por baixo, que quando revelado faz juz ao ditado: “Lobo em pele de cordeiro”.
Porém, é Amanda Seyfried quem realmente se destaca, ofuscando inclusive o bom trabalho de Sidney Sweeney em “A Empregada”. Sua performance é digna de uma indicação às premiações voltadas ao cinema, alternando com perfeição entre a sanidade e os surtos psicóticos que Nina demonstra até determinado momento do filme. O que mais me chamou a atenção na atuação de Amanda Seyfried são seus olhos muito expressivos e que muitas vezes dizem o que precisamos saber sem falas ou gestos por parte da atriz. O longa-metragem pode se chamar “A Empregada”, mas é Nina quem dita as regras e conduz a história.
O desfecho de “A Empregada” é diferente do existente no livro pelo que fiquei sabendo; então se tiver interesse em ler o romance “homônimo”, como é o meu caso, pode ficar tranquilo pois acredito que não receberá spoilers.
Apesar de ter não ser uma unanimidade por parte do público (74/100 no Rotten Tomatoes e 6,7/10 no IMDb) e certa crítica negativa, “A Empregada” deve ter uma sequência, pois arrecadou US$ 400 milhões nas bilheterias mundias (sendo US$ 127 milhões nos EUA), para um orçamento de US$ 35 milhões.
Alguns problemas técnicos, como alguns cortes abruptos e situações que são convenientes demais ao roteiro se tornam coisas pequenas diante da narrativa dinâmica, da reviravolta realmente surpreendente e da atuação incrível de Amanda Seyfried. Por isso tudo que foi dito nessa resenha, vale a pena assistir “A Empregada”!
Ficha Técnica:
Título Original: The Housemaid
Título no Brasil: A Empregada
Gênero: Suspense
Duração: 131 minutos
Diretor: Paul Feig
Produção: Paul Feig, Laura Fischer, Todd Lieberman
Roteiro: Rebecca Sonnenshine
Elenco: Sydney Sweeney, Amanda Seyfried, Brandon Sklenar, Michele Morrone, Elizabeth Perkins, Indiana Elle, Hope Grant, Amanda Joy Erickson, Megan Ferguson, Ellen Tamaki, Don DiPetta, Lamar B. Slaughter, Alaina Surgener, Alexandra Seal, Brian D. Cohen, Hannah Cruz, Ellen Adair
Companhias Produtoras: Hidden Pictures, Pretty Dangerous Pictures
Distribuição: Lionsgate
