Recap da Quarta Temporada
Butcher, expulso dos The Boys, está morrendo devido ao uso excessivo do Composto V temporário. Tendo alucinações com Becca (Shantel VanSanten), sua falecida esposa e Jeffrey Kessler (Jeffrey Dean Morgan), um antigo colega da CIA, ele passa procurar o vírus capaz de matar Supers.
Homelander tenta consolidar seu legado através de seu filho, Ryan (Cameron Crovetti). Ele recruta Irmã Sábia e Espoleta para ajudá-lo com seus planos de tomar o controle dos Estados Unidos, manipulando a política americana para colocar o senador Victoria Neuman Claudia Doumit) na Casa Branca.
Sem Butcher, Hughie, Leitinho, Francês e Kimiko tentam deter Victoria Neuman, enquanto lidam com seus problemas pessoais.
Cedendo à persona sombria de Kessler, Butcher quer usar o vírus para liberar uma pandemia e matar todos os supers do planeta, inclusive Luz-Estrela e Kimiko.
Victoria Neuman com medo do Capitão Pátria, aceita fazer um acordo com Hughie para se proteger. Porém, Butcher invade o local e usa seus tentáculos para matá-la e roubam o vírus que estava de posse dela.
Homelander incrimina Butcher seus amigos pela morte de Neuman, dizendo que o assassinato dela foi a mando do presidente Singer (Jim Beaver). O presidente da Câmara assume a presidência dos EUA e jura lealdade ao super, declarando Lei Marcial.
Leitinho, Francês, Kimiko e Hughie são capturados; apenas Luz-Estrela consegue voar e escapar. Na cena pós-crédito, Homelander descobre que seu pai, Soldier Boy, está vivo e mantido em uma cápsula de estase sob custódia do governo.
The Boys (5ª Temporada)
SINOPSE: É o mundo do Capitão Pátria (Anthony Starr), completamente sujeito aos seus caprichos erráticos e egocêntricos. Hughie (Jack Quaid), Leitinho (Laz Alonso) e Francês (Tomer Capone) estão presos em um “Freedom Camp”. Annie (Erin Moriarty) luta para montar uma resistência contra a força esmagadora dos Supes. Kimiko (Karen Fukuhara) está desaparecida. Mas quando Butcher (Karl Urban) reaparece, pronto e disposto a usar um vírus que vai eliminar todos os Supes do mapa, ele inicia uma cadeia de eventos que mudará o mundo e todos nele para sempre. É o clímax, pessoal!
Em uma noite, Dean (Jensen Ackles) vai procurar Sam (Jared Padalecki), seu irmão mais novo, para dizer que o pai deles sumiu enquanto cuidava do negócio da família: salvar pessoas, caçar coisas. Esses são os Winchester: uma família de caçadores de monstros, assombrações, criaturas desconhecidas e demônios. E um demônio em especial é o motivo de John (Jeffrey Dean Morgan), patriarca dos Winchester, ter desaparecido. Azazel (Fredric Lehne), o Demônio de Olhos Amarelos, há 21 anos atrás, matou Mary (Samantha Smith), mãe de Dean e Sam.
À partir daí, Dean e Sam descobrem que Azazel tem planos para o caçula da família Winchester. Investigando qual seria as intenções do demônio de olhos amarelos, Sam é morto e retorna, graças a um pacto de Dean com um demônio da encruzilhada. Os dois irmãos então matam Azazel, mas não o impedem de abrir um portão para o Inferno, liberando centenas de demônios na Terra.
Tendo que enfrentar uma verdadeira Legião e Lilith, a nova manda-chuva demoníaca, Dean e Sam precisam encontrar uma forma de salvar o primogênito Winchester do inferno dentro de apenas um ano. Infelizmente, Dean é morto por um cão do inferno e tem sua alma jogada no Abismo; e Lilith descobre que Sam é imune ao seus poderes.
Dean volta a vida e descobre que alguma coisa poderosa tirou sua alma do Inferno. O responsável por isso é Castiel, um anjo do Senhor, que diz que Deus tem planos para ele. Enquanto Dean sofria o martírio no Abismo, Sam continuou caçando com a ajuda de sangue de demônio, que quando ingerido por ele, lhe dá poderes para exorcizar essas criaturas. Logo se descobre que Lilith está quebrando os 66 selos que são as fechaduras da jaula onde Lúcifer está preso. Do lado angelical, fica-se sabendo que esses seres não querem impedir a soltura do Arcanjo Caído. Sam com plenos poderes graças ao sangue de demônio enfrenta Lilith e a mata. A Demônio de Olhos Brancos era o último selo da jaula e sua morte liberta Lúcifer.
Sam descobre que é a casca de Lúcifer e Dean é o receptáculo de Miguel, um destino planejado desde antes o nascimento deles. Ao dizerem sim, o Apocalipse alancará seu ápice, com os irmãos Winchester, agora os Arcanjos mais poderosos de Deus, lutando até a morte e destruindo a Terra. Com a ajuda da Morte (Julian Richings) e Crowley (Mark Sheppard), Lúcifer e Miguel acabam presos na jaula do Inferno; mas a um custo muito alto: a morte de muitos amigos e de Sam, que prendia o Arcanjo Caído em seu corpo, trancafiado na jaula para toda a eternidade.
Essa foi a estrada trilhada pelos irmãos Winchester.
Você deve estar se perguntando por que estou falando de “Supernatural” se a resenha é sobre a última temporada de “The Boys”? Um dos motivos é porque “The Boys” é uma adaptação da HQ homônima capitaneada por Erik Kripke, criador e showrunner das cinco primeiras temporadas de ‘Supernatural”. O outro motivo eu vou revelar mais para frente.
“The Boys” chegou a sua última temporada trazendo um cenário bastante caótico e desesperador para o grupo de Butcher e para as pessoas em geral: Homelander comanda os Estados Unidos, através do presidente Calhoun (David Andrews) e da vice-presidente Ashley (Colby Minifie). Dessa forma, utilizando as forças policiais e armadas e grupos paramilitares, ele manda caçar e prender os luzes-estrelistas e demais opositores nos Freedoms Camps, que são verdadeiros campos de concentração. Ao mesmo tempo, Homelander usa a força midiática da Vought International para manipular as informações e vender seu governo como a única solução para um EUA mais forte.
Se nesse ponto, você associar “The Boys” a atual situação política estadunidense, você não entendeu errado. Erik Kripke já deu diversas declarações que Homelander é fortemente inspirado no presidente Donald Trump.
Frustrado e irritado, Homelander ordena a execução de Hughie, Leitinho e Francês, que estão presos em Campo de Liberdade há um ano, como forma de atrair e matar Luz-Estrela (Erin Moriarty) e Butcher. O plano funciona, e quando Homelander está prestes a assassinar Hughie, Trem-Bala (Jessie Usher) aparece e o impede. Então, em uma sequência que lembra bastante a corrida entre Flash e Superman, para ver qual dos dois é mais veloz, termina com o super mais poderoso da Terra matando o ex-velocista dos Sete.
O segundo episódio mostra Butcher planejando testar o vírus que mata supers. Homelander com medo de ser vítima da arma biológica, desperta Soldier Boy (Jensen Ackles) para encontrar e matar Butcher e seus amigos, quem sem saber é exposto e cai vítima do vírus. Porém, enquanto os cientistas da Vought fazem a limpeza do local e levam o corpo do primeiro super, ele acorda. Então Irmã Sábia (Susan Heyward) explica que o V1 no sangue de Soldier Boy lhe confere imortalidade, o que faz com que Homelander fique obcecado em adquirir o composto V original.
Para completar o cenário, Homelander que já tinha complexo divino, tem um surto psicótico e vê Madelyn Stillweel (Elisabeth Shue) como um anjo, que diz que o destino dele não é apenas liderar o mundo, mas ser adorado como o verdadeiro Deus e o convence que ele merece a devoção e adoração da humanidade.
Dessa forma, o plano insano de Homelander passa a ser conseguir o V1 para se tornar imortal e se tornar o novo Deus do mundo, encarregando Espoleta (Valorie Curry) Oh-Father (Daveed Diggs) de criarem a nova religião para adorá-lo e venerá-lo.
Com um cenário desses, a última temporada de “The Boys” tinha tudo para ser explosiva e insana, mas o que se vê é um quinto ano sonolento, que repete fórmulas que em outro momento seriam bem-vindas.
Uma analogia que me vem a cabeça quando analiso a última temporada de “The Boys” é de uma tempestade que nunca se precipita: existem os relâmpagos, trovões, ventania; mas que não alcança e nem mostra sua força máxima.
Homelander está no ápice de sua frustração e insanidade. frustração, pois, ele quer ser amado, mas todos o remem e o acham estranho. Soldier Boy, seu pai, o despreza e o acha um assexuado esquisito. Esses sentimentos que Homelander recebe das pessoas potencializam sua loucura megalomaníaca, que é o que acontece quando ele tem a revelação sobre seu destino divino.
Mas ao invés dele tocar o terror, Homelander fica se lamuriando e quando parece que vai liberar toda sua força assassina, a série de alguma forma põe freio no super. Ao longo de quatro temporadas foi construída a ameaça que representa Homelander, e no último ano gostaria de ter visto do que ele era capaz, como um dos pôsteres insinuou.
A sensação que fiquei é que a temporada final de “The Boys” vira uma enrolação, focando na exposição de bizarrices e subtramas.
Com relação as bizarrices, minha recalamão não são elas existirem, pois foi algo que gostei e que muitas vezes me divertiram. O problema está no fato que a temporada final virou um expositor gratuito para essas situações, tirando tempo e a dramaticidade que precisava existir.
Não quero dizer com isso que “The Boys” em sua reta final perdesse sua irreverência, mas que criasse o peso de termos o mais forte dos supers querendo se tornar o novo Deus e alcançar a imortalidade.
As subtramas da temporada final, ao contrário das bizarrices, foram utilizadas para ganhar tempo e encher linguiça. Dessa forma, alguns personagens secundários ganharam espaço que não precisavam no desfecho da série. Profundo (Chace Crawford) e Black Noir II (Nathan Mitchell) se mostram irrelevantes para a história, com o primeiro puxando o saco de Homelander e tentando se manter importante e o segundo personagem tentando mostrar seu talento teatral. Irmã Sábia perdeu todo o potencial de ser uma vilã perigosa, se tornando a vozinha do Capiroto no ouvido dos demais. Soldier Boy volta somente para ser aquele que tem coragem de avacalhar com seu pai super-poderoso e promover “Vought Rising”, spin-off de “The Boys” que estreia ano que vem.
Do lado dos “mocinhos”, Leitinho perde totalmente a importância, assim como Hughie e Luz-Estrela. Kimiko (Karen Fukuhara) ganha espaço além da sua capacidade de falar, porém esse certo protagonismo faz sentido. Francês continua sendo o melhor personagem de toda a série e na reta final se torna peça fundamental para os planos de Butcher.
Escrevendo a resenha até pensei que faz sentido tirar o espaço de personagens para que o protagonismo da última temporada seja em Butcher e Homelander; mas então por que ter tanto espaço além do necessário? É só ver o caso deAshley (Colby Minifie) que possui tanto tempo de tela e só é utilizado para mostrar seu superpoder bizarro, um tumor na parte de trás da cabeça, que é como uma irmã siamesa dela e que lê mentes (algo parecido com Voldemort na nuca do professor Quirino Quirrell em “Harry Potter e a Pedra Filosofal”).
Alguns personagens secundários são interessantes como Oh-Father, um acréscimo interessante na galeria batida personagens bizarros, que representa o braço religioso da Vought International e encarregado de criar uma religião que faça com que Homelander se torne o substituto de Jesus Cristo, amado e idolatrado.
Outro personagem que ganha destaque é Terror, buldogue de Butcher, especificamente no quinto episódio, onde é revelado o quanto ele é amado pelo líder do The Boys e o quanto esse amor tem relevância para as ações de Butcher no episódio final.
No meio de tanta história desnecessária e enrolação, temos um afago aos fãs de “Supernatural”, onde no sexto episódio Homelander e Soldier Boy vão a Los Angeles encontrar Marathon (Jared Padalecki) que pode ter informações sobre o V1. Na mansão do ex-velocista dos Sete, eles se deparam com uma reunião reunindo Malchemical (Misha Collins) e algumas celebridades de Hollywood. Dessa forma, Erik Kripke trouxe para a série quase todos os atores que tiveram papéis relevantes em “Supernatural”. Ficou faltando na minha opinião Mark Sheppard (Crowley), Mark Pellegrino (Lúcifer) e Ruth Connell (Rowena).
Mas tirando essas exceções “The Boys” prefere cozinhar em banho-maria a temporada até o último episódio, quando Homelander resolve se declarar o sucessor de Jesus Cristo, o novo Deus, em uma transmissão ao vivo direto da Casa Branca. Então percebendo que não será venerado com gostaria, o super resolve ser a força divina que é temida pela força, dor e morte. Nesse momento, Homelander se autointitula o Deus das Cinzas. É quando chega Butcher e Kimiko, agora dotada de poderes capazes de parar Homelander, e iniciam o combate final.
O episódio acaba sendo muito bom por causa dessa parte e pelas conclusões dadas para Homelander e Butcher. O super tem um final justo para alguém que sempre humilhou e subjugou os demais por ser tão poderoso. Já Butcher tendo perdido toda ligação afetiva com alguém, inclusive com Terror, resolve liberar o vírus que mata supers no prédio da Vought International, mas precisará passar por Hughie, sua bússola moral e talvez o único verdadeiro amigo dentro dos The Boys. O embate entre os dois é emocionante a ponto de me fazer chorar.
“The Boys” tem um bom episódio final, mas que não salva a temporada fraca. Erik Kripke é um dos poucos showrunner que conheço que sabe como terminar uma série, por isso fiz o resumo sobre “Supernatural” no começo dessa resenha, pois as primeiras cinco temporadas que foram comandadas por ele são bem planejadas, coesas e com uma história que ganha em escala a cada novo ano. Ao contrário do último ano de “The Boys”, a última temporada de “Supernatural” mescla bem a encheção de linguiça com momentos importantes e épicos, aumentando assim as expectativas e deixando o espectador instigado para o grand finale.
O que quis demonstrar com o resumo de “Supernatural” no começo da resenha e agora é como Erik Kripke pôde entregar esse final para “The Boys”? E não fico convencido quando ele diz que seu orçamento não era grandioso como “Game of Thrones”, pois “Supernatural” muito provavelmente deve ter tido uma verba menor que “The Boys”, e mesmo assim ele produziu ótimas temporadas.
O último ano de “The Boys” é sonolento e até mesmo a morte do personagem mais querido da série perde força dramática diante de tanta enrolação. E quando a série resolve acelerar, nossas atenção já está abalada, além de tentar resolver tudo em um único episódio, com algumas soluções surgindo quase que como mágica. Até mesmo o último episódio é menos do poderia ser por tudo que ficou guardado para ele.
Enfim, um final fraco e triste para o duelo entre Butcher e Homelander.
Ficha Técnica:
Título Original: The Boys
Título no Brasil: The Boys
Gênero: Super-Herói, Sátira
Temporadas: 5ª
Episódios: 8
Criadores: Eric Kripke
Produtores: Eric Kripke, Seth Rogen, Evan Goldberg, James Weaver, Neal H. Moritz, Pavun Shetty, Ori Marmur, Dan Trachtenberg, Ken F. Levin, Jason Netter, Craig Rosenberg, Phil Sgriccia, Rebecca Sonnenshine, Paul Grellong, David Reed, Meredith Glynn, Garth Ennis, Darick Robertson, Michaela Starr, Judalina Neira, Jessica Chou, Gabriel Garcia
Diretores: Phil Sgriccia, Shana Stein, Karen Gaviola, Catriona McKenzie, Sylvain White
Roteiro: Paul Grellong, Jessica Chou, Ellie Monahan, Geoff Aull, Judalina Neira, David Reed, Anslem Richardson
Elenco: Karl Urban, Jack Quaid, Antony Starr, Erin Moriarty, Jessie T. Usher, Laz Alonso, Chace Crawford, ,Tomer Capone, Karen Fukuhara, Nathan Mitchell, Colby Minifie, Susan Heyward, Valorie Curry, Daveed Diggs, Cameron Crovetti
Companhias Produtoras: Kripke Enterprises, Point Grey Pictures, Original Film, Kickstart Entertainment, KFL Nightsky Productions, Amazon MGM Studios, Sony Pictures Television
Transmissão: Amazon Prime Video
